Autorizados megacamiões com 32 metros

Os megacamiões ou gigaliners vão poder circular em Portugal com um comprimento máximo de 32 metros e um peso bruto de 72 toneladas, de acordo com o plano de Mobilidade 2.0 aprovado em Conselho de Ministros.

Com o objetivo de alinhar a legislação portuguesa com a espanhola, o Governo anunciou a revisão dos limites relativos aos pesos e dimensões de conjuntos de veículos em configuração euromodular, como pesados de mercadorias com reboque ou semirreboque, passando a permitir a circulação nas estradas nacionais de conjuntos articulados mais longos e com maior peso bruto.

A medida está contemplada no plano de Mobilidade 2.0 aprovado em Conselho de Ministros e prevê um crescimento de quase sete metros no comprimento total, de 22,25 metros para 32 metros, enquanto o peso bruto aumenta de 60 toneladas para 72 toneladas. Além disso, a autorização especial de trânsito quer passa de um para dois anos. 

Actualmente, em Portugal, é permitida a utilização de veículos a motor-reboque com 5 ou mais eixos que atinjam o peso bruto máximo de 60 toneladas nas seguintes condições de transporte: materiais lenhosos nas deslocações nacionais; papel, pasta de papel, produtos cerâmicos e siderúrgicos, minério, produtos vitivinícolas, frutas, produtos hortículas, pecuários e cereais nas deslocações de e para os portos nacionais.

Estes veículos podem ainda ser utilizados no transporte de ácido tereftálico purificado (não ADR) nas deslocações de e para os portos nacionais; produtos vitivinícolas, frutas,  produtos hortícolas, pecuários e cereais nas deslocações de e para os portos nacionais nas deslocações com origem na produção e destino nas unidades de concentração ou transformação e se realize exclusivamente durante campanhas agrícolas (com exceção da pecuária para esta última limitação).

Matérias perigosas

Com a alteração dos limites é implementada também a possibilidade dos megacamiões fazerem transporte de matérias perigosas, nomeadamente de combustíveis, mas em “percursos específicos” como para o Aeroporto de Lisboa.

O ministro das das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, explicou, em conferância de imprensa, que a infraestrutura aeroportuária da capital não tem “pipeline”, sendo servido diariamente por 44 mil viagens para fornecimento de jet-fuel, gasolina e gasóleo. Com esta decisão, o governante diz que é possível baixar para 22 mil viagens.

De acordo com o Governo, a medida tem o intuito de permitir ganhos em eficiência económica e ambiental, referindo que são efeitos que se complementam porque ao reduzir o número de viagens para o mesmo transporte, é possível baixar os custos das operações, ao mesmo tempo que se evita a emissão de mais gases poluentes para a atmosfera fruto, entre outros, do menor consumo de combustível.

Será de referir que existem países que permitem a circulação de conjuntos de veículos maiores como por exemplo na Finlândia, com 34,5 metros de comprimento e preso bruto de 76 toneladas, ou na Austrália onde um “road train”pode chegar aos 53,5 metros e o peso bruto às 200 toneladas.