Novo Nissan Micra chega em novembro

Guiámos o novo Nissan Micra que é 100% elétrico e promete uma autonomia que pode chegar aos 418 km. Chega em novembro com o preço a começar nos 33 mil euros

O novo Nissan Micra resulta da parceria entre a Renault e a Nissan no âmbito da Aliança que inclui, também, a Mitsubishi: praticamente todos os painéis exteriores e órgãos mecânicos são partilhados com o Renault 5 E-Tech, sendo os dois modelos produzidos na mesma fábrica, em França. As semelhanças são, por isso, evidentes mas, ainda assim, a carroçaria, com menos de quatro metros de comprimento, apresenta alguns detalhes que remetem para um dos modelos mais icónicos da Nissan, a terceira geração do Micra (K12), comercializada entre 2002 e 2010. Os “traços de personalidade” mais óbvios são as óticas dianteiras e traseiras.

Na frente, os faróis (LED) são retangulares, como os do Renault 5, mas possuem ao redor um duplo semi-círculo que incorpora os piscas e as luzes diurnas, enquanto na parte posterior os grupos óticos são igualmente redondos e de grandes dimensões. As proteções em negro na parte inferior da carroçaria e as aplicações em alumínio escovado e, principalmente, a possibilidade de o tejadilho estar pintado de negro ou cinzento, para se diferenciar das 15 tonalidades possíveis para a carroçaria, bem como o desenho das jantes de 18 polegadas, contribui para uma aparência não apenas moderna mas bastante jovem.

Interior Google

Esperaríamos, por isso, uma maior ousadia no interior, sem qualquer apontamento de cor, mesmo sabendo que a diferenciação face ao “primo” francês estava limitada pela obrigação de conter os custos do projeto, como nos foi sublinhado pelos responsáveis da marca japonesa. Sem surpresa, o espaço na traseira é limitado, o mesmo acontecendo com a capacidade da bagageira (326 litros), o que, ainda assim, preenche necessidades de uma utilização urbana. Já os lugares dianteiros são bem mais desafogados, a posição de condução ideal é fácil de encontrar, graças às múltiplas regulações dos bancos e o tablier é marcado pelas linhas direitas e pelos dois ecrãs digitais com 10,1 polegadas cada: em frente ao condutor surgem as principais informações de viagem, enquanto em posição central o segundo display serve as habituais funcionalidades digitais de conectividade, destacando-se os vários serviços Google, bem como as regulações de climatização e o sistema de navegação também assistido pela Google. Uma adaptação do Nissan Connect Drive, com menos funcionalidades para não “penalizar” o preço.

Ainda no interior, gostámos da qualidade dos revestimentos apesar de alguns plásticos duros e de algumas folgas entre os painéis. A instrumentação é de manuseamento intuitivo e os comandos principais estão bem posicionados, incluindo as patilhas que permitem regular o nível de regeneração de energia (inexistentes no Renault).

Até 416 km de autonomia

No lançamento em novembro, com o preço a começar nos 33 mil euros, o novo Nissan Micra vai estar disponível com a versão equipada com a bateria de 52 kWh associada ao motor de 150 cv. A autonomia anunciada é de 416 km e a velocidade máxima está limitada a 150 km/h. Sob encomenda, existe uma versão com uma bateria de 40 kWh que “serve” um motor de 120 cv., com a autonomia a chegar aos 317 km.

Para os três níveis de equipamento previstos (Engage, Advance e Evolve) estão disponíveis os modos de condução Eco, Standard e Sport que alteram o “temperamento do Nissan Micra, com o modo Eco a favorecer o consumo e autonomia mas a limitar demasiado a potência disponível e, portanto, o prazer de condução. Já o modo Sport incute uma dinâmica que está em sintonia com a aparência algo traquinas. A firmeza da suspensão nunca interfere com o conforto, enquanto a precisão da direção chega a ser desafiadora, o que faz suspirar por uma mecânica mais potente que por agora não está nos planos da Nissan. Ou seja, embora a cidade seja o território preferencial do novo Nissan Micra a agilidade que identificamos ao volante convida-nos para uma condução mais divertida. Este primeiro contacto nos arredores de Roterdão, nos Países Baixos, o trajeto utilizado foi maioritariamente urbano ou em estradas com bastante trânsito pelo que o consumo de 15,2 kWh/100 km que averbámos pareceu-nos dentro da normalidade.