Carlos Tavares afirma que China poderá ser a salvação da Europa

O ex-CEO da Stellantis, Carlos Tavares prevê uma revolução no setor automóvel global. Segundo o gestor, China será a salvação da indústria automóvel europeia e só cinco marcas irão sobreviver à próxima transição tecnológica.

Carlos Tavares, antigo CEO da Stellantis, voltou a lançar um alerta sobre o rumo da indústria automóvel europeia.

O gestor português acredita que a transição forçada para a eletrificação, impulsionada pela União Europeia, está a fragilizar o sector e a abrir espaço para que os fabricantes chineses assumam o controlo.

Numa entrevista ao Financial Times, Tavares afirmou que “muitas janelas estão a abrir-se para os chineses” e previu que, num futuro próximo, marcas como a BYD e a Geely poderão ser vistas como “salvadoras” das fábricas europeias em dificuldade.

Segundo o mesmo, o cenário provável é claro: quando um construtor ocidental estiver prestes a encerrar unidades e enfrentar protestos, um fabricante chinês poderá intervir, comprando a operação e mantendo os empregos.

O antigo líder da Stellantis conhece bem esta dinâmica. Durante o seu mandato, orquestrou a compra de uma participação de 20% na Leapmotor, um movimento que permitiu à marca chinesa expandir-se para os mercados internacionais.

Tavares reconhece, no entanto, que a parceria poderá ter um duplo sentido, admitindo que “eles querem engolir-nos um dia”.

Políticas europeias são problemáticas

Crítico das políticas europeias, Tavares acusa a União Europeia de ter conduzido os fabricantes a um investimento de mais de 100 mil milhões de euros em eletrificação.

Um montante que, segundo o mesmo, poderá nunca ser totalmente aproveitado, caso o plano de proibir motores de combustão até 2035 venha a ser revisto.

“Quem responsabiliza a UE pelos 100 mil milhões de euros de investimentos que não serão utilizados? Ninguém”, questionou.

Apenas cinco marcas irão sobreviver

Tavares considera que a indústria automóvel global encontra-se num estado de transformação tão inédito que a maioria das marcas atuais não irá sequer sobreviver.

O ex-CEO prevê que apenas cinco ou seis construtores sobrevivam à alegada transformação global, entre esses a Toyota, a Hyundai, a BYD e possivelmente a Geely.

Curiosamente, o próprio não inclui a Stellantis entre os sobreviventes, uma previsão que talvez reforce a opinião do antigo executivo do grupo quanto à gravidade do cenário para o futuro da indústria automóvel europeia.