Honda revoluciona engenharia automóvel e cria plataforma flexível

A Honda desenvolveu uma nova plataforma que desafia décadas de design de chassis, prometendo melhorar a condução e o conforto com flexibilidade controlada.

A Honda acaba de anunciar uma nova plataforma de veículos, que irá servir de base para os futuros Civic, CR-V e ainda os seus próximos modelos elétricos.

Contudo, o principal destaque desta nova plataforma está na sua flexibilidade. Em vez de ter criado uma estrutura que se concentra na eliminação da flexibilidade e que seja o mais rígida possível, a Honda optou por uma que otimize a flexibilidade a seu favor.

Como é que funciona?

De acordo com a informação divulgada, a Honda concebeu uma estrutura modular onde as secções dianteiras e traseiras se deformem de maneira previsível, com o objetivo de melhorar o desempenho dinâmico e a estabilidade do veículo sob carga.

De acordo com a marca, estas torções calculadas permitem que a estrutura acompanhe as forças laterais, promovendo maior contacto das rodas com o piso e aumentando a qualidade da condução.

Imagine-se, por exemplo, toda estrutura do carro a adaptar-se à ondulação da estrada, em vez de ser a suspensão a maximizar o contacto com a estrada e a empurrar as rodas contra o piso.

A Honda espera que a modularidade e o novo design da plataforma reduzam o peso total do conjunto em cerca de 90 kg e diminua os custos de produção em 10%, em comparação com a estrutura atual.

A evolução das plataformas

Ao longo dos anos, o desenvolvimento do design e construção dos chassis dos automóveis focou-se na rigidez e na resistência à torção.

Desde o uso de estruturas em escada até à mudança universal de construção monocoque numa carroçaria única, o desenvolvimento das estruturas automóveis teve uma a evolução natural.

Afinal, estamos a falar de uma tecnologia cujo desenvolvimento foi impulsionado pela necessidade de acompanhar motores mais potentes, com transmissões de potência mais elevadas, e pneus capazes de oferecer níveis mais altos de aderência lateral.

Os chassis não devem ser flexíveis porquê?

Forças como o peso do motor e dos passageiros, o binário do motor transferido para as rodas, e ainda as transferências de peso ocorridas durante a condução, puxam e torcem o chassis em várias direções.

Um chassis deve ser robusto o suficiente para manter a sua forma e integridade estrutural sob todas estas forças. A lógica dita que só assim é que cumpre o objetivo de manter a qualidade e segurança da condução, com um desempenho mais previsível.

No entanto, a Honda quer desafiar esta lógica, explorando como alguma flexibilidade controlada consegue melhorar a condução dos seus veículos, enquanto reduz o peso e o custo dos mesmos.

Quando chega?

Como mencionado no início do artigo, esta plataforma irá servir de base aos futuros modelos da Honda, desde os de tamanho médio como aos de grande dimensão, assim como aos modelos elétricos, onde os mesmos princípios serão aplicados na futura plataforma elétrica dos modelos Série 0.

Quanto à sua estreia, prevê-se que esta nova estrutura entre em produção em 2027.