Relatório TÜV 2026 expõe falhas graves no Tesla Model Y

O relatório TÜV 2026, baseado em 10,2 milhões de inspeções na Alemanha, revelou que o Tesla Model Y é o veículo com pior taxa de falhas graves entre automóveis com 2–3 anos: 17,3%. O relatório destaca problemas de suspensão, travões e iluminação.

Os problemas mais recorrentes concentram-se na suspensão, no sistema de travagem e na iluminação, contrariando a ideia generalizada de que carros elétricos, por serem modernos, são intrinsecamente mais fiáveis. O relatório reforça que a TÜV funciona como um barómetro independente de segurança e qualidade automóvel, muito consultado por condutores e profissionais do setor.

Como funciona a inspeção da TÜV para elétricos

Na inspeção técnica obrigatória (HU), aplicada também a veículos elétricos, são avaliados aspetos visuais e estruturais como travões, pneus, amortecedores, chassis e iluminação, de forma semelhante aos veículos a combustão. Nos elétricos há, contudo, verificações adicionais ao sistema de alta voltagem, que incluem a integridade física da bateria, a fixação ao chassis, o estado dos cabos e o isolamento elétrico, embora não seja medida a saúde da bateria. A eletrónica e o software representam outro ponto crítico: são analisados os registos de erros e o funcionamento dos assistentes de segurança, sendo que a ausência de atualizações críticas pode motivar a reprovação. Entre os problemas mais comuns nos elétricos destacam-se as falhas nos travões mecânicos, que tendem a corroer devido à forte utilização da travagem regenerativa, e o desgaste acelerado da suspensão, resultante do peso adicional das baterias.

Porque o Tesla Model Y falha tanto

No caso do Tesla Model Y, a elevada taxa de falhas resulta de uma combinação de fatores. O peso do veículo exerce esforço excessivo sobre braços e amortecedores, conduzindo a desgaste prematuro, o que sugere que a suspensão opera perto do limite para um SUV elétrico. Os travões sofrem com falta de uso, acumulam corrosão e apresentam força de travagem desigual, um problema agravado por uma gestão regenerativa muito agressiva e por práticas de manutenção reduzidas por parte dos proprietários. A qualidade de produção inconsistente na fábrica de Berlim, incluindo tolerâncias irregulares em alguns componentes, pode amplificar estes efeitos. Somam-se ainda falhas frequentes na iluminação — desde desalinhamento de faróis até humidade em óticas — e a forte dependência de software, que multiplica os potenciais pontos de falha sempre que ocorre um erro de firmware ou uma atualização crítica permanece por instalar.

Manutenção insuficiente agrava falhas

A ideia difundida de que “um Tesla quase não precisa de manutenção” contribui para o aumento do desgaste real. Travões pouco usados necessitam de limpeza e lubrificação frequentes, e suspensões de veículos pesados requerem revisões regulares — fatores nem sempre considerados pelos proprietários. A elevada quilometragem registada em muitos Model Y inspecionados intensifica a pressão sobre travões e suspensão, aumentando o risco de falhas.

Mini Cooper SE: o contraponto positivo

Enquanto o Model Y regista o pior desempenho da sua faixa etária, o Mini Cooper SE destaca-se no extremo oposto, com apenas 3,5% de falhas graves. A TÜV sublinha que o elétrico da Mini mostrou uma suspensão robusta, travões e chassis consistentes e uma plataforma bem adaptada às exigências do peso da bateria. Esta diferença evidencia como a fiabilidade não depende da propulsão elétrica em si, mas das escolhas de engenharia, da adequação estrutural e da manutenção regular.

O panorama descrito pelo relatório TÜV 2026 demonstra que dois veículos elétricos podem ter desempenhos completamente opostos: enquanto o Mini Cooper SE alcança resultados de referência, o Tesla Model Y evidencia limitações na suspensão, maior vulnerabilidade à corrosão dos travões e inconsistências na iluminação e no software, agravadas pela elevada quilometragem típica e pela falta de manutenção preventiva. A conclusão é clara: a tecnologia elétrica não garante, por si só, maior fiabilidade. O que realmente diferencia um elétrico robusto de um elétrico problemático é o conjunto de decisões de design, qualidade de produção, calibração da travagem e atenção à manutenção. Para quem procura um elétrico usado com 2 a 3 anos e valoriza fiabilidade, o relatório indica que modelos como o Mini Cooper SE representam escolhas mais seguras do que o Model Y, salvo se houver compromisso com manutenção preventiva rigorosa.

Vencedores e vencidos

No relatório TÜV 2026, os vencedores por categoria de veículos com dois a três anos incluem o Fiat 500e, no segmento dos minis, com uma taxa de defeitos de 4,2%, e o Mazda 2, entre os pequenos, com 2,9%. Nos compactos destaca-se o BMW Série 1, enquanto entre os modelos de tamanho médio o Mercedes Classe C assume a liderança. No segmento SUV o vencedor é o Volkswagen T-Roc e, entre as vans, o destaque vai para o Mercedes Classe B.

Quanto aos vencedores por faixa etária, o Mazda 2 lidera entre os veículos com dois a três anos. Nas faixas dos quatro aos cinco anos destacam-se o VW Golf Sportsvan e o VW T-Roc, sendo que este último volta a ocupar a primeira posição entre os seis e os sete anos. Com oito a nove anos, o melhor classificado é o Mazda CX-3, enquanto o Mercedes Classe B assume o topo entre os dez e os onze anos. Já nas faixas etárias superiores, o VW Touareg destaca-se entre os doze e os treze anos.

Entre os “perdedores” do relatório surgem o BMW Série 5 e o BMW Série 6, que ocupam o último lugar nas faixas dos quatro aos cinco anos e dos oito aos nove anos. O Dacia Duster aparece igualmente duas vezes em último, nas faixas dos seis aos sete anos e dos dez aos onze anos, enquanto o Renault Clio fecha a tabela entre os doze e os treze anos.

Pela primeira vez, a Associação TÜV atribui o prémio “Vencedor da Qualidade a Longo Prazo”, destinado ao fabricante cujos veículos, com idade entre dez e onze anos, registam a menor taxa média de defeitos relacionados com a segurança, simbolizando qualidade e durabilidade. O primeiro lugar é ocupado pela Mercedes, com uma taxa de defeitos de 18,5%, seguida da Audi, com 19,2%, e da Toyota, que completa o pódio com 22%.