Noruega atingiu a plenitude em veículos elétricos

Com quase 100% das novas vendas a serem de carros elétricos, o governo norueguês pondera retirar gradualmente os incentivos fiscais. Mas a decisão está a dividir opiniões.

A Noruega, líder mundial na adoção de veículos elétricos, está a ponderar encerrar uma das suas políticas mais bem-sucedidas.

Com 98,3% das novas matrículas pertencentes a veículos totalmente elétricos, o governo norueguês anunciou que está a planear eliminar progressivamente as isenções fiscais para carros elétricos até 2027.

O que está em causa

Os novos veículos elétricos comprados no país nórdico estão isentos de taxas de importação, do imposto de circulação, do imposto de registo e do imposto sobre o valor acrescentado (IVA) para carros até 500 mil coroas (o equivalente a 46 mil euros).

O resultado desta medida foi notável. Não só o preço dos veículos elétricos reduziu significativamente e incentivou a compra de veículos elétricos e eletrificados, mas transformou a Noruega num exemplo global de transição energética.

Contudo, a medida que agora está a ser proposta prevê a redução da isenção do IVA para veículos até 300 mil coroas (o equivalente a 27.600 euros), até à eliminação completa do benefício em 2027. A partir daí, os automóveis elétricos passarão a pagar IVA como os de motor a combustão.

Reações à proposta

Segundo a Reuters, o governo norueguês quer avançar com a eliminação dos incentivos porque afirma o país já ter atingido o seu objetivo de transição energética automóvel.

A ministra das Finanças da Noruega, Jens Stoltenberg, afirmou: “Tínhamos o objetivo de que todos os novos automóveis de passageiros fossem elétricos até 2025, e podemos dizer que esse objetivo foi alcançado. Por isso, chegou o momento de eliminar gradualmente os benefícios”.

No entanto, a medida tem sido contestada por grupos como a Associação Norueguesa de Veículos Elétricos, que relembrou que cerca de 70% dos carros em circulação nas estradas norueguesas ainda utilizam combustíveis fósseis, demonstrando que a transição ainda está longe de concluída.

Enquanto a Noruega pondera juntar-se aos Estados Unidos da América no grupo de países que acabou com os incentivos à compra de elétricos, há países que seguem o caminho inverso.

A Alemanha, por exemplo, anunciou que vai reintroduzir um subsídio de até 4 mil euros para a compra de veículos elétricos em 2026, demonstrando que, a nível global, a transição energética ainda parece decorrer a ritmos distintos.