Golf GTI W12-650 regressa para celebrar 50 anos do ícone lendário

Para assinalar os 50 anos do Golf GTI, a Volkswagen recupera o radical conceito W12-650, um dos protótipos mais extremos alguma vez ligados ao modelo. O super-hatch com motor central e 640 cv mostra até onde a marca alemã esteve disposta a ir para celebrar o seu ícone desportivo da marca alemã hoje

O Volkswagen Golf GTi foi um dos modelos que popularizou a designação GTi, que significa Grand Touring Injection (originalmente Gran Turismo Iniezione), usada para identificar versões de alto desempenho de um automóvel. O modelo celebra meio século de história em 2026 e a marca alemã quer sublinhar o momento com a edição especial Golf GTI Edition 50. No entanto, quando se fala do GTI mais radical alguma vez criado, nenhum exemplar de produção se aproxima do insólito protótipo W12-650.

Apresentado originalmente em Wolfsburg, este one-off foi concebido para mostrar até onde a engenharia do Grupo podia ir — sem as limitações da homologação para estrada.

Uma quimera de peças do Grupo VW

Para esta recriação comemorativa, o concept surge em Tornado Red e mantém a sua receita extravagante: um motor W12 biturbo de 6,0 litros proveniente do Bentley Continental GT, montado atrás dos bancos.

A potência — cerca de 640 cv e 750 Nm — é enviada exclusivamente às rodas traseiras através de uma caixa automática de seis velocidades herdada do Volkswagen Phaeton. O resultado está longe de qualquer GTI convencional.

Volkswagen AG
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Travões de RS4 e ADN de supercarro

O caráter “híbrido” do W12-650 não tem qualquer relação com eletrificação; o termo aplica-se antes à combinação de componentes de alto desempenho, incluindo os travões dianteiros do Audi RS4, o eixo traseiro e os travões do Lamborghini Gallardo, bem como a carroçaria Mk5 alargada em 160 mm. Estas alterações permitiram acomodar a arquitetura de motor central e melhorar a estabilidade do projeto experimental.

Desempenho ainda hoje impressionante

Graças ao W12 montado em posição central, o GTI experimental acelerava dos 0 aos 100 km/h em apenas 3,7 segundos — um valor que continua competitivo quase duas décadas depois.

A velocidade máxima anunciada rondava os 325 km/h, embora nunca tenha sido oficialmente verificada. Mesmo assim, o protótipo superava claramente qualquer GTI ou R de produção.

Aerodinâmica e visual fora da caixa

O modelo distinguia-se também por vários elementos exclusivos, entre os quais um teto em fibra de carbono com entrada de ar integrada, uma saída de escape quádrupla, entradas de ar laterais específicas e um pilar C redesenhado para melhorar o arrefecimento do motor. As jantes de 19 polegadas escondiam pneus traseiros de 295 mm, necessários para tentar domar a tração traseira pura — algo inédito num Golf.

O legado de Ferdinand Piëch

Este projeto reflete a visão ambiciosa de Ferdinand Piëch, antigo líder do Grupo VW, conhecido por apostar em engenharia sem compromissos. A mesma filosofia levou ao desenvolvimento do Bugatti Veyron, embora também tenha produzido fracassos comerciais como o Phaeton. Ainda assim, Piëch permanece uma das figuras mais influentes da indústria automóvel.