Tesla autónomo “sobe” Pikes Peak… mas afinal era partida

A preparadora norte–americana Unplugged Performance anunciou um Tesla autónomo para a mítica subida de Pikes Peak em 2026. O projeto, batizado “Goldmember”, prometia 1.020 cv e condução totalmente sem piloto. Porém, a surpreendente participação revelou-se afinal uma elaborada partida de 1 de abril

Pikes Peak, no estado norte-americano do Colorado, é uma das montanhas mais icónicas do desporto automóvel mundial. Embora seja sobretudo uma formação geológica da cordilheira das Montanhas Rochosas, ganhou notoriedade graças à famosa subida conhecida como “Race to the Clouds”.

A primeira edição realizou-se em 1916 e, desde então, tornou-se uma das provas de montanha mais exigentes do planeta. O percurso tem 12,42 milhas (cerca de 20 km) e inclui 156 curvas, ligando uma altitude inicial de 9.390 pés (2.862 m) ao cume, a 14.115 pés (4.302 m).

A prova funciona em formato de contrarrelógio: cada participante sobe sozinho e vence quem registar o tempo mais rápido, muitas vezes estabelecendo novos recordes.

Laboratório extremo para carros e pilotos

Ao longo de mais de um século, Pikes Peak tornou-se um verdadeiro laboratório de engenharia automóvel. A combinação de altitude extrema, curvas apertadas e troços rápidos colocou à prova algumas das máquinas mais radicais já construídas.

Nos últimos anos, os veículos elétricos ganharam protagonismo na subida. O seu binário instantâneo e a entrega imediata de potência fazem deles candidatos naturais a tempos recorde em provas de montanha.

É neste contexto que várias equipas utilizam a competição para testar novas soluções técnicas, desde aerodinâmica extrema a sistemas de gestão de potência.

O “Goldmember”: um Tesla autónomo de 1.020 cv

A preparadora Unplugged Performance, conhecida pelas modificações a modelos Tesla e presença regular em Pikes Peak entre 2020 e 2023, surpreendeu ao anunciar um projeto fora do convencional para 2026.

O carro chamava-se Goldmember e teria como base o conceito Cybercab robotaxi da Tesla, adaptado para competição. O visual era impossível de ignorar: carroçaria dourada, portas em borboleta e um agressivo kit aerodinâmico, inspirado no pacote utilizado no carro “Dark Helmet” da equipa.

Em termos técnicos, a ficha anunciada era impressionante: o modelo recorreria a um sistema de três motores elétricos capaz de debitar 1.020 cv de potência e 1.420 Nm de binário, permitindo uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em cerca de 1,5 segundos, valores ao nível dos veículos elétricos mais rápidos da atualidade.

Apesar de um peso anunciado próximo das 4.200 libras (cerca de 1.900 kg), o destaque estaria no pacote aerodinâmico capaz de gerar níveis elevados de downforce, essenciais para manter estabilidade nas rápidas curvas da subida.

Condução autónoma para enfrentar 156 curvas

A maior novidade, contudo, seria a ausência total de piloto.

Segundo a Unplugged Performance, o Goldmember utilizaria um sistema dedicado chamado Full Self-Driving: Hillclimb, desenvolvido especificamente para enfrentar o percurso de Pikes Peak.

O software seria baseado na plataforma de condução autónoma do Cybercab, mas calibrado especificamente para enfrentar as exigências do percurso de Pikes Peak, incluindo 156 curvas ao longo do traçado, uma subida superior a 1.500 metros de desnível e mudanças bruscas de aderência e altitude ao longo da montanha.

A empresa defendia que as corridas autónomas poderiam servir como banco de ensaio extremo para sistemas de condução sem condutor, argumentando que um carro capaz de subir Pikes Peak sozinho estaria tecnicamente preparado para circulação em estrada aberta.

Afinal… tudo não passou de uma partida

Por mais credível — e entusiasmante — que parecesse a proposta, a verdade acabou por surgir pouco depois.

O projeto Goldmember não passava de uma brincadeira de Dia das Mentiras criada pela própria Unplugged Performance. A história foi publicada como parte das celebrações de 1 de abril, enganando muitos entusiastas e meios especializados do setor automóvel.

Apesar da partida, a ideia não é totalmente descabida. Com a evolução acelerada da condução autónoma e o domínio crescente dos carros elétricos em Pikes Peak, não é impossível que um dia a famosa subida às nuvens seja enfrentada por um carro sem ninguém ao volante.