Conduzir carros elétricos em inundações, é seguro?

Com o agravamento do mau tempo e o aumento das cheias, multiplicam-se os alertas para os perigos de conduzir em estradas inundadas. Os veículos elétricos estão no centro do debate, mas especialistas e autoridades reforçam: a água representa riscos graves para qualquer automóvel

A imprevisibilidade do clima tem provocado inundações repentinas, afetando estradas, parques de estacionamento e garagens. Nas redes sociais circulam vídeos de proprietários a perderem viaturas e a improvisarem soluções para as proteger, ilustrando a dimensão crescente do problema.

Os carros elétricos são mais vulneráveis à água?

Apesar de serem concebidos com sistemas elétricos selados e protegidos contra chuva ou lavagens, os veículos elétricos não estão preparados para atravessar água de inundação. No entanto, o risco não é exclusivo deste tipo de automóvel: qualquer carro pode sofrer danos graves ou perder estabilidade em cheias.

Principais riscos de conduzir em água de inundação

  • Danos na bateria: a entrada de água pode provocar curto-circuitos, falhas irreversíveis e, em casos extremos, incêndios.

  • Perda de controlo: correntes podem arrastar o veículo ou fazê-lo sair da estrada.

  • Danos mecânicos e interiores: sistemas de travagem, direção, eletrónica e habitáculo ficam comprometidos.

    Segundo um especialista da Euromaster, a submersão pode tornar a reparação economicamente inviável.

Limites de profundidade e recomendações oficiais

A Embaixada do Japão em Portugal partilhou conselhos de segurança, onde recomenda evitar a circulação em água com mais de 10 cm de profundidade, regra válida para todos os veículos. A partir desse nível, aumenta o risco de danos e de perda de controlo.

Alguns fabricantes indicam profundidades máximas de travessia, apenas em condições controladas:

  • Tesla: até 81 cm

  • Nissan Leaf: até 70 cm

  • Audi Q8: cerca de 30 cm

Estes valores variam consoante a altura ao solo e podem alterar-se se o veículo for modificado, por exemplo com suspensão rebaixada.

A decisão mais segura

Mesmo quando o fabricante indica uma profundidade máxima, não significa que deva ser testada em cheias reais. A água pode esconder buracos, detritos ou correntes fortes. A recomendação geral é clara: evitar sempre atravessar zonas inundadas, sobretudo com água em movimento.

O que fazer se o carro passar por uma cheia

Se um veículo — elétrico ou não — tiver sido exposto a água de inundação, deve ser inspeccionado por um profissional antes de voltar à estrada, garantindo que continua seguro para circular.

Conclusão

Carros e água não combinam. Em contexto de cheias, a prudência é a melhor proteção — para o veículo e, sobretudo, para a segurança dos ocupantes.