Changan estreia primeiro elétrico com bateria de sódio da CATL

A Changan tornou-se a primeira marca a lançar um automóvel elétrico equipado com uma bateria de iões de sódio produzida pela CATL. O Nevo A06 inaugura uma tecnologia que promete maior segurança, melhor desempenho em climas extremos e menor dependência do lítio

A Changan deu um passo inédito na indústria automóvel ao apresentar o Nevo A06, o primeiro automóvel elétrico de produção equipado com uma bateria de iões de sódio. Desenvolvida pela CATL, o maior fabricante mundial de baterias para veículos elétricos, a nova tecnologia surge como uma alternativa às atuais baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) e de níquel-manganês-cobalto (NMC), que dominam atualmente o mercado.

Embora o Nevo A06 já tivesse sido revelado anteriormente, a novidade centra-se nesta nova variante equipada com a bateria Naxtra, tornando-se o primeiro modelo de produção a recorrer a esta solução.

Autonomia de 400 quilómetros com apenas 45 kWh

A bateria Naxtra possui uma capacidade de 45 kWh e permite ao Nevo A06 anunciar uma autonomia de até 400 quilómetros segundo o ciclo de homologação chinês CLTC. Em condições equivalentes ao ciclo europeu WLTP, o valor deverá ser inferior, embora a relação entre capacidade e autonomia continue a revelar-se competitiva.

Outro dos destaques é a densidade energética de 175 Wh/kg, superior à registada pela maioria das baterias LFP atualmente disponíveis, que rondam os 160 Wh/kg. Esta evolução traduz-se numa bateria mais leve e eficiente, contribuindo para reduzir o consumo energético do veículo.

Melhor desempenho em temperaturas extremas

Uma das maiores vantagens da tecnologia de iões de sódio está no comportamento em condições climatéricas adversas. Segundo a CATL, a bateria mantém um desempenho significativamente superior ao das atuais baterias LFP em ambientes de frio intenso.

Os testes realizados indicam que a capacidade de carga e descarga é até três vezes superior à das baterias LFP a temperaturas de -30 ºC. Mesmo a -40 ºC, a bateria conserva cerca de 90% da sua capacidade, mantendo um funcionamento estável até aos -50 ºC, uma característica particularmente relevante para mercados com invernos rigorosos.

Segurança reforçada e menor dependência do lítio

A segurança constitui outro dos argumentos da nova bateria. Durante os ensaios de resistência, incluindo testes de perfuração e corte das células, a bateria continuou a descarregar energia de forma controlada, sem provocar incêndios nem emissão de fumo, um dos principais desafios das atuais tecnologias de armazenamento de energia.

Além das vantagens técnicas, as baterias de sódio apresentam benefícios estratégicos. O sódio é um elemento muito mais abundante e barato do que o lítio, reduzindo a dependência de matérias-primas críticas e contribuindo para diminuir os custos de produção no futuro. Apesar de ainda oferecerem uma densidade energética inferior às baterias NMC de última geração, o seu custo potencialmente mais reduzido e a maior disponibilidade das matérias-primas tornam-nas especialmente interessantes para veículos elétricos de segmento compacto e modelos destinados ao mercado de massas.

CATL quer elevar autonomia para 600 quilómetros

A CATL já confirmou que continuará a desenvolver a tecnologia Naxtra, com o objetivo de aumentar significativamente a densidade energética das futuras gerações. A meta passa por disponibilizar baterias capazes de proporcionar autonomias na ordem dos 600 quilómetros, aproximando-se dos valores atualmente alcançados pelas melhores baterias de iões de lítio.

Para já, a Changan será a primeira fabricante a comercializar um modelo equipado com esta tecnologia, mas a expansão deverá ser rápida. As marcas Deepal e Avatr, também pertencentes ao grupo chinês, já anunciaram planos para integrar as baterias Naxtra nos seus futuros modelos elétricos.

A aposta da CATL nas baterias de iões de sódio representa mais um passo na diversificação das tecnologias de armazenamento de energia para veículos elétricos. Se conseguir cumprir as promessas de maior segurança, melhor desempenho em temperaturas extremas e custos mais baixos, esta solução poderá tornar-se uma alternativa relevante às atuais baterias de lítio, sobretudo nos modelos de acesso e nos mercados onde o preço continua a ser um dos principais fatores de decisão.