Quem inventou o teste dos 0 aos 100 km/h?

A aceleração dos 0 aos 100 km/h é uma das métricas mais conhecidas do mundo automóvel. Mas a origem desta medição não vem da indústria automóvel.

O tempo de aceleração dos 0 aos 100 km/h (ou dos 0 às 60 milhas por hora) continua a ser uma das métricas mais utilizadas para avaliar o desempenho de qualquer automóvel ou mota.

Sempre que um fabricante anuncia um novo modelo, conseguimos encontrar no seu catálogo o tempo que precisa para cumprir o exercício dos 0 aos 100. E sempre que esse tempo é de poucos segundos, fica imediatamente claro de que se trata de um carro rápido.

A origem desta medição está ligada ao jornalista automóvel norte-americano Tom McCahill, considerado um dos pioneiros no jornalismo automóvel por não só ter popularizado o teste dos 0 às 60 milhas por hora (mph), mas também por ter ajudado a criar o conceito de testes automóveis como conhecemos hoje.

McCahill enveredou pela escrita durante a Segunda Guerra Mundial, onde começou por escrever artigos sobre vários temas em diversas revistas, mas foi durante o período pós-guerra que percebeu que o público poderia estar interessado em ler sobre novos modelos, depois de anos sem novos automóveis.

Foi então que vendeu essa ideia à revista Mechanix Illustrated, onde publicou o seu primeiro teste de estrada dedicado a um Ford de 1946 e popularizou o hábito de registar o tempo que um carro demorava a acelerar dos zero às 60 milhas por hora.

Porquê 60 milhas por hora?

Embora não exista uma razão clara para a escolha das 60 milhas por hora, a explicação mais consensual está associada aos limites de velocidade da época nos Estados Unidos da América.

Como muitos deles se situavam entre as 50 e 60 milhas por hora, medir o tempo necessário para atingir essa velocidade tornou-se numa referência realista para a condução quotidiana, e uma forma prática de avaliar a capacidade de aceleração de um automóvel.

O mesmo aplica-se quanto à utilização dos 0 aos 100 km/h em mercados que utilizam o sistema métrico. Mas para além desta razão já mencionada, também é provável que esteja relacionado com a falta de equivalência entre os dois sistemas: 60 milhas por hora corresponde a cerca de 97 km/h.

É também por isto que algumas marcas preferem divulgar os tempos dos 0 às 62 mph, em vez da métrica clássica criada por McCahill.

Porque ainda é relevante

Atualmente, os tempos dos 0 aos 100 km/h continuam a desempenhar um papel central na forma como o desempenho dos automóveis é comunicado.

Apesar dos avanços tecnológicos (como veículos elétricos) terem reduzido drasticamente os tempos de aceleração e terem revolucionado o paradigma que define o que é um carro rápido ou não, a métrica mantém-se o indicador ideal e mais simples de performance de um automóvel.