Motor V6 a hidrogénio pode ser o futuro da competição

A Bosch, em parceria com a Ligier, converteu um V6 da Maserati para funcionar a hidrogénio. Será este o futuro do motor de combustão?

Este novo projeto desenvolvido pela Bosch Engineering e a Ligier quer provar que é possível manter motores de alto desempenho e reduzir as emissões sem comprometer o som, a resposta e o carácter mecânico dos motores de combustão.

À primeira vista, o modelo apenas um Ligier JS2 R, o carro de competição utilizado na própria série de monomarca que utiliza um motor V6 Ford montado na posição central de um chassis tubular e carroçaria em fibra de vidro.

Mas este é o JS RH2, que utiliza nada mais que o V6 Nettuno biturbo de 3,0 litros da Maserati, utilizado no MC 20 e MC Pura, mas adaptado pelos engenheiros da Bosch para funcionar a hidrogénio.

Motor com poucas alterações

Ao contrário de outras soluções movidas a hidrogénio com célula de combustível, esta solução mantém um verdadeiro motor de combustão, que emite ruído e apenas 0,8 g/km de CO₂, sendo que 0,7 g/km são provenientes do ar ambiente.

Para efeitos de comparação, um Suzuki Swift, com um motor a gasolina de 1,2 litros associados a um sistema mild-hybrid, emite 99 g/km de CO₂.

Mas a maior surpresa está na ausência de alterações no motor. Segundo a publicação Top Gear, foram instalados apenas injetores específicos para hidrogénio, novas bobines de ignição, velas, e uma nova centralina.

O mesmo não se pode dizer acerca do carro. Como o sistema de hidrogénio com 130 kg de peso exige uma complexa rede de tubagens, sensores e válvulas de segurança, foi necessário utilizar o monocoque em carbono do LMP3 da Ligier, com uma estrutura traseira personalizada para também acomodar o novo sistema de escape.

De resto, o sistema de hidrogénio inclui três depósitos de alta pressão em fibra de carbono, nas laterais e na traseira, capazes de armazenar 6,3 kg de hidrogénio a 700 bar, que alimentam diretamente 594 cavalos e 680 Nm de binário e produzem uma sonoridade a condizer.

Segunda geração do motor já em testes

O projeto já soma mais de 3.500 milhas de teste, já marcou presença em demonstrações nas 24 Horas de Le Mans e já tem uma segunda geração do motor com mais potência e binário a ser testada em banco de ensaios.

O único obstáculo, de momento, é a infraestrutura de reabastecimento. Durante o teste a que a publicação britânica teve acesso, o único posto de abastecimento ficava a uma hora de distância, a juntar aos nove disponíveis em todo o Reino Unido.

Ainda assim, com custos de produção próximos aos de um motor de gasolina, a Bosch afirma que a combustão a hidrogénio poderá superar a gasolina em até 20% em motores equivalentes. Para já, os primeiros resultados estão à vista: prestações dignas de um carro de competição, com uma sonoridade a condizer.