Conduzimos o Mercedes EQS com volante by wire

Num último fôlego, antes de ser substituído pelo Classe S, o Mercedes EQS estreia uma arquitetura elétrica de 800 V, que permite estender a autonomia até aos 925 km e carregar 320 km em dez minutos. Como opção oferece uma direção sem ligação mecânica entre o volante e as rodas

Drift. Provavelmente a última atividade que passa pela cabeça do condutor de um Mercedes EQS. Uma berlina confortável, acabada de receber um derradeiro restyling antes de ceder o lugar ao Classe S. Tem estreia marcada para julho, devendo os preços ser conhecidos ainda durante o mês de abril, e faz do EQS 450+ o campeão da autonomia, com uns extensos 925 km entre carregamentos. O aumento de 13% face à atual geração deve-se à utilização de uma nova arquitetura de 800 V que permite igualmente à bateria de 122 kWh carregar até 350 kW e acrescentar 320 km de autonomia a cada dez minutos. Nos carregadores de 400 V a bateria divide-se virtualmente para carregar com eficiência até 175 kW.

Então e o drift? Foi uma observação feita por um dos técnicos responsáveis pelo desenvolvimento de uma das outras novidades da limousine elétrica do construtor de Estugarda. O EQS é o primeiro automóvel da Mercedes a oferecer um sistema de direção by wire, sem ligação mecânica entre o volante e as rodas. É precisamente o volante que identifica as versões com direção by wire. É plano, como o Yoke da Tesla, mas tem um funcionamento completamente diferente, para melhor.

Mais pesado

Dotado de um rácio de direção realmente variável em função da velocidade, o volante by wire do Mercedes EQS nunca roda mais de 45 graus. Um quarto de volta para a direita ou para a esquerda e está a tocar no batente. “Daí ser bom para o drift”, como gracejou Joachim Neff, lembrando que “deixa de ser necessário trocar as mãos quando o carro começa a andar de lado, basta contrabrecar com um quarto de volta”. Naturalmente, não houve drift para ninguém. Houve, isso sim, um slalom executado com um Mercedes EQS com direção com assistência elétrica tradicional e outro com o volante by wire.

Para frustração evidente dos técnicos da Mercedes, preferimos a naturalidade da direção tradicional na prova de slalom. Naturalmente por falta de hábito ao sistema novo, que se revelou excessivamente pesado, medida necessária para lembrar que o batente se encontra no final de um quarto de volta. A direção by wire brilhou numa inversão de marcha, onde bastou o giro de 45 graus para executar uma manobra que precisou de duas voltas da direção tradicional.

Dependendo do condutor, o isolamento ainda maior da direção pode ser uma vantagem ou desvantagem do sistema by wire. Sem ligação mecânica entre as rodas e o volante, as vibrações e os impactos sofridos pelo eixo dianteiro são totalmente eliminados. O que nos levantou a questão inevitável: e se o sistema falhar. “Não há problema”, garantem-nos. Para além das quatro redundâncias obrigatórias por lei, a Mercedes acrescentou mais duas. Uma delas é o recurso ao eixo traseiro direcional (vira até dez graus), parte integrante da opção pela direção by wire.