Honda prevê primeira perda anual em 70 anos com travão nos elétricos

A Honda prevê registar a primeira perda anual desde que entrou em bolsa em 1957. A decisão surge após um encargo até 13,3 mil milhões de euros no recuo da estratégia de eletrificação.

A Honda prevê fechar o atual ano fiscal com prejuízo, naquele que poderá ser o primeiro resultado anual negativo desde que entrou em bolsa em 1957.

A revisão das contas surge depois de a fabricante japonesa anunciar custos de reestruturação até 2,5 biliões de ienes, equivalentes a cerca de 13,3 mil milhões de euros, relacionados com custos de reestruturação ligados ao seu negócio de veículos elétricos.

O que está em causa

O impacto resulta sobretudo do cancelamento da produção de três novos modelos elétricos nos Estados Unidos da América (EUA). Uma decisão motivada pelo fim do apoio governamental para veículos elétricos em vigor no mesmo país.

A Honda junta-se, assim, a grandes empresas como a Ford e a Stellantis que foram obrigadas a repensar as suas estratégias pelo mesmo motivo, e a registarem grandes imparidades no processo.

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Mas de acordo com os analistas citados pela agência Reuters, “a principal surpresa foi o cancelamento do programa de produção nos EUA, em vez de apenas uma redução da escala”.

Queda na procura não ajuda

O presidente executivo da Honda, Toshihiro Mibe, afirmou numa conferência de imprensa que a procura por veículos elétricos caiu de forma acentuada, tornando “muito difícil” manter níveis de rentabilidade sustentáveis.

Além dos ajustes no mercado norte-americano, a empresa está também a reduzir o valor contabilístico do seu negócio na China, onde enfrenta dificuldades para competir com construtores locais que apostam fortemente em tecnologia e software automóvel, como a BYD.

Perante este cenário, a Honda pretende reforçar a competitividade de custos e a sua gama de modelos em mercados considerados estratégicos.

Um deles é a Índia, onde a empresa identifica potencial de crescimento e onde os fabricantes chineses têm presença limitada.

Como parte das medidas internas após o anúncio das perdas, o presidente executivo Toshihiro Mibe e o vice-presidente executivo Noriya Kaihara irão abdicar voluntariamente de 30% da sua remuneração durante três meses, enquanto outros executivos aceitarão cortes de 20%.

A Honda indicou ainda que apresentará uma estratégia empresarial revista de médio e longo prazo no próximo ano fiscal, refletindo as mudanças no mercado global de veículos elétricos.