Os construtores europeus vão recuperar botões físicos após a Euro NCAP atualizar os critérios de segurança para desincentivar ecrãs táteis exclusivos. A mudança pode impactar os novos modelos já em 2025 e alterar estratégias das marcas no setor
A entidade europeia de avaliação de segurança automóvel passou a exigir comandos físicos para funções essenciais de condução. Para obter a classificação máxima de cinco estrelas, os veículos terão de incluir controlos dedicados para o indicador de mudança de direção, limpa-vidros, luzes de emergência, buzina e chamadas SOS.
Os modelos que dependam exclusivamente de ecrãs táteis para estas funções verão a sua pontuação penalizada.
A decisão surge num contexto de crescente preocupação com a distração ao volante. Nos últimos anos, muitos fabricantes migraram para interiores minimalistas dominados por ecrãs, eliminando botões físicos para reduzir custos e modernizar o design.
Especialistas em segurança rodoviária têm alertado que menus digitais exigem mais atenção visual e tempo de interação, podendo aumentar o risco de acidente em comparação com comandos táteis tradicionais.
Apesar do peso comercial das avaliações, o programa da Euro NCAP não tem força de lei na União Europeia. Ainda assim, a classificação de cinco estrelas é fortemente valorizada pelas marcas e frequentemente usada em campanhas de marketing e vendas.
Na prática, a atualização dos critérios tende a influenciar o design dos futuros modelos, mesmo sem obrigação legal.
Fora da Europa, a tendência pode tornar-se vinculativa. Segundo a Bloomberg, propostas do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China preveem que funções como pisca-pisca, luzes de emergência, seleção de marchas e chamadas de emergência tenham botões físicos com área mínima de 10 mm por 10 mm.
Se aprovadas, estas regras poderão pressionar ainda mais a indústria automóvel global a reequilibrar o uso de ecrãs táteis e controlos físicos nos habitáculos.