Novo motor da Stellantis combina tecnologia da Fórmula 1 e da indústria aeroespacial

O novo motor Hurricane 4 da Stellantis tem apenas quatro cilindros e 2,0 litros de capacidade, mas promete ser um dos mais avançados do mundo graças à integração de soluções derivadas da Fórmula 1 e até da indústria aeroespacial.

A Jeep elevou a fasquia dos motores de quatro cilindros com o novo Hurricane 4, um bloco de 2.0 litros turbo capaz de debitar 325 cavalos de potência e um binário máximo de 450 Nm.

Apesar de os números, por si só, não parecerem revolucionários nos dias de hoje, é o conjunto tecnológico que posiciona este motor como um dos motores de quatro cilindros mais sofisticados em produção.

O primeiro grande destaque é a tecnologia de ignição por jato turbulento (Turbulent Jet Ignition (TJI),um sistema de combustão com pré-câmara inspirado em soluções da Fórmula 1 e semelhante ao utilizado no recentemente substituído Maserati MC20.

Tecnologia avançada

Operando segundo o ciclo Miller e com uma taxa de compressão de 12:1, o motor combina ainda injeção direta e indireta, bem como ignição dupla (duas velas por cilindro).

Estas últimas duas são geridas eletronicamente e ajustam-se consoante as condições de funcionamento do motor, permitindo uma mistura ar-combustível mais homogénea antes da ignição.

A frio, ambos os sistemas estão ativos para aquecer rapidamente o catalisador. Já em situações de baixa carga, a injeção indireta é privilegiada para reduzir o ruído e as vibrações. Mas em situações em que é pedida mais potência, os dois sistemas funcionam em conjunto, com primazia da injeção direta.

Foco na eficiência e refinamento

A eficiência foi outro dos focos centrais do desenvolvimento. Já aplicado no Jeep Grand Cherokee 2026, o Hurricane 4 regista um consumo estimado pela EPA (a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) equivalente a cerca de 8,7 L/100 km em autoestrada.

O Hurricane 4 inclui ainda variador elétrico na árvore de cames de admissão, permitindo ajustes mesmo com o motor desligado. Algo que melhorará o funcionamento do sistema start/stop.

  • Start-stop: tecnologia ainda faz sentido?

    ID: 205894 | 1847330360

Mas outro elemento importante na eficiência e refinamento deste motor é o turbo de geometria variável (VGT), uma solução rara em motores a gasolina e mais frequentemente encontrada em propostas da Porsche.

A forma como funciona é relativamente simples. O turbo ajusta o fluxo de gases de escape através de aletas móveis integradas nas turbinas interiores, melhorando a resposta durante a aceleração e também a eficiência em regimes estabilizados.

No pico, este novo turbo desenvolvido pela Stellantis permite atingir até 2,4 bar (35 psi) de pressão, garantindo 90% do binário máximo entre as 2.600 e 5.600 rotações por minuto em conjunto com um intercooler líquido-ar.

Construído para ser durável

Construído em alumínio, com estrutura reforçada e saia profunda, este motor demonstra uma abordagem moderna e orientada para elevada resistência estrutural.

Além disso, também integra um virabrequim reforçado, paredes de cilindros 24% mais espessas e um sistema de eixo de equilíbrio, contribuindo para um funcionamento mais suave.

No interior dos cilindros, também integra o revestimento Plasma Transfer Wire Arc (PTWA), uma tecnologia derivada da indústria aeroespacial que oferece dez vezes mais resistência ao desgaste do que o ferro convencional.

Já foi aplicado

A primeira aplicação deste motor teve lugar no já mencionado Jeep Grand Cherokee de 2026, que atualmente não é comercializado na Europa.

Contudo, se este motor estiver a caminho do “Velho Continente”, o mais provável é vir associado a um sistema híbrido, tal como aconteceu com a geração anterior do Grand Cherokee.