Bruxelas pede cortes urgentes no consumo de combustíveis

A Comissão Europeia alertou os governos da União Europeia para a necessidade urgente de reduzir o consumo de combustíveis fósseis, sobretudo nos transportes, face à crise petrolífera agravada pela guerra no Médio Oriente e pelo encerramento do Estreito de Ormuz, pedindo medidas imediatas de poupança e coordenação

Segundo avançou o Diário de Notícias, a Comissão Europeia enviou uma carta aos governos da União Europeia a recomendar a adopção de medidas rápidas e eficazes para reduzir o consumo de combustíveis e derivados do petróleo, numa resposta à crescente instabilidade que afecta actualmente o mercado energético mundial.

De acordo com o aviso transmitido esta terça-feira aos ministros da Energia, o agravamento do conflito no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais de transporte de crude — estão a provocar forte volatilidade no mercado internacional do petróleo. Bruxelas considera, por isso, essencial que famílias, empresas e o próprio Estado adoptem estratégias de poupança energética, com especial foco no sector dos transportes.

Petróleo disparou com o conflito no Médio Oriente

A tensão geopolítica já se reflecte no preço do crude. Desde o início do conflito, após o primeiro ataque dos Estados Unidos ao Irão no final de Fevereiro, o barril de petróleo passou de cerca de 72 dólares para valores superiores a 100 dólares, tendo mesmo atingido os 119 dólares nas semanas seguintes.

Para tentar estabilizar o mercado, vários países já começaram a libertar parte das suas reservas estratégicas de petróleo. No total, mais de 400 milhões de barris de reservas de emergência estão a ser colocados no mercado numa operação coordenada pela Agência Internacional da Energia (AIE), com cerca de 20% provenientes dos Estados-Membros da União Europeia.

Apesar desta medida, Bruxelas considera que o aumento da oferta não será suficiente para travar a escalada dos preços e insiste que também é necessário reduzir a procura.

Transportes no centro das medidas de poupança

A Comissão Europeia recomenda aos governos que promovam políticas de redução do consumo, sobretudo nos transportes, sector que continua a representar uma das maiores fatias da procura de combustíveis fósseis.

Entre as medidas sugeridas estão campanhas de poupança energética, incentivos à mobilidade sustentável e aplicação do plano de dez medidas da Agência Internacional da Energia para reduzir a utilização de petróleo. Entre essas propostas contam-se limites de velocidade mais baixos, promoção do teletrabalho, reforço dos transportes públicos e maior utilização de veículos eléctricos.

O comissário europeu para a Energia, Dan Jørgensen, sublinha que a segurança do abastecimento europeu “continua garantida”, mas alerta para a necessidade de preparar o bloco comunitário para possíveis perturbações prolongadas no comércio internacional de energia.

Refinarias devem manter produção e adiar manutenções

No mesmo documento, Bruxelas pede aos Estados-Membros que evitem medidas que possam agravar a situação energética, nomeadamente decisões que incentivem o consumo de combustíveis ou que limitem o livre fluxo de produtos petrolíferos no mercado interno europeu.

A Comissão recomenda também que as refinarias europeias adiem manutenções não urgentes, garantindo assim níveis elevados de produção para assegurar o abastecimento do mercado. Outra solução apontada passa pelo aumento da utilização de biocombustíveis, que poderão ajudar a substituir parte dos combustíveis fósseis e aliviar a pressão sobre o mercado petrolífero.

Preparação para o inverno já começou

A crise energética não se limita ao petróleo. Há cerca de uma semana, Bruxelas já tinha emitido um aviso semelhante relativamente ao gás natural, aconselhando os países a reforçar desde já as reservas para o próximo inverno.

A Comissão Europeia considera que o enchimento antecipado das reservas permitirá evitar corridas tardias ao mercado no final do verão, cenário que poderia provocar uma nova escalada dos preços da energia.

Apesar de garantir que a União Europeia está hoje melhor preparada do que durante a crise energética de 2022, Bruxelas insiste que a coordenação entre Estados-Membros será crucial para enfrentar um período de elevada volatilidade nos mercados energéticos globais.