Se tem um diesel plug-in, leia isto e evite reparações caras já!

Os híbridos plug-in a diesel da Mercedes combinam eficiência elétrica com tecnologia diesel avançada, mas o uso maioritariamente urbano e em modo elétrico pode causar problemas técnicos sérios. DPF, diluição do óleo e desgaste prematuro são riscos reais que exigem atenção do utilizador

Os veículos híbridos plug-in a diesel (PHEV diesel), solução que só a Mercedes disponibiliza, utilizam um motor de combustão interna de ciclo Diesel equipado com pós-tratamento de emissões, aliado a um motor elétrico e uma bateria que lhe fornece a energia elétrica necessária ao seu funcionamento.

A ter em conta o facto de quando estes PHEV diesel são utilizados maioritariamente em modo elétrico, poderem surgir limitações técnicas inerentes ao funcionamento do motor diesel, em particular ao nível do filtro de partículas (DPF) e da gestão do óleo do motor.

“Excesso de óleo” – cuidado!

“Excesso de óleo” – cuidado!

Perante a acumulação progressiva de partículas, a unidade de controlo do motor inicia regenerações ativas, recorrendo a injeções tardias de gasóleo para elevar a temperatura dos gases de escape. No entanto, quando o motor é desligado prematuramente, situação comum nos híbridos plug-in, essas regenerações são interrompidas, u seja, parte do combustível injetado não é totalmente queimado, escorrendo pelas paredes dos cilindros e acabando por se misturar com o óleo no cárter.

Esta situação conduz à diluição do óleo pelo gasóleo, explicando a ocorrência frequente do aviso de nível de óleo excessivo no painel de instrumentos. Não se trata de um erro de medição, mas sim de um aumento real do volume de fluido no cárter, acompanhado por uma degradação significativa das propriedades lubrificantes do óleo. A viscosidade diminui, a capacidade de proteção é comprometida e acelera-se o desgaste de componentes críticos como bronzes, segmentos e até o turbocompressor.

A utilização prolongada nestas condições pode ainda provocar aumento da pressão no cárter, danos em vedantes, contaminação do sistema de admissão e, em casos extremos, risco de auto-alimentação do motor. Por este motivo, a Mercedes que é a única marca que permanece fiel ao Diesel nos PHEV, trata o aviso de nível de óleo excessivo como uma condição crítica, frequentemente exigindo substituição imediata do óleo e, por vezes, uma regeneração forçada do DPF em oficina.

E nos PHEV a gasolina?

Este conjunto de problemas é menos frequente em híbridos plug-in a gasolina, uma vez que estes motores toleram melhor ciclos térmicos curtos e não dependem de regenerações periódicas de filtros de partículas nas mesmas condições de temperatura. No caso do diesel, existe uma incompatibilidade funcional parcial entre o conceito plug-in urbano e os requisitos operacionais do motor.

Para mitigar estes efeitos, é tecnicamente recomendável que o motor diesel seja utilizado com regularidade, em trajetos suficientemente longos (20 a 30 minutos) e a um regime estável, permitindo a conclusão das regenerações do filtro de partículas.

Em paralelo, torna-se prudente encurtar os intervalos de mudança de óleo, independentemente da quilometragem anual. 

Qualquer das propostas da Mercedes possui soluções tecnologicamente evoluídas bem como índices de eficiência de referência desde que utilizadas dentro do perfil para o qual foi concebido. Contudo, em utilização predominantemente elétrica, os compromissos mecânicos tornam-se evidentes, devendo o utilizador ponderar se uma solução híbrida a gasolina ou totalmente elétrica não será, do ponto de vista técnico e de durabilidade mais apropriada.