Citroën pondera possível sucessor elétrico do C1

A Citroën pode regressar ao segmento A com um elétrico acessível, mas tudo depende da aprovação do novo programa “E-Car” da Comissão Europeia.

A Citroën está a considerar lançar um novo citadino elétrico acessível para ocupar o espaço deixado pelo C1, descontinuado em 2020.

Esta hipótese foi avançada pelo CEO Xavier Chardon, em declarações à publicação Autocar, que revelou que o novo programa “E-Car” da Comissão Europeia pode tornar viável o regresso da marca francesa ao segmento A.

Com os custos de produção e as exigências regulatórias a pressionar as margens de lucro das marcas no segmento A, a Citroën vê no programa uma oportunidade para fazer um carro elétrico acessível, uma vez que relaxa alguns dos requisitos técnicos e de segurança que, por exemplo, levaram à descontinuação do C1 em 2020.

Com inspiração no 2CV

Chardon sublinha que a Citroën tem “legitimidade” para entrar novamente neste segmento, mas que tudo depende dos futuros regulamentos do programa “E-Car” e de emissões.

O executivo recordou ainda o sucesso histórico dos modelos da marca francesa neste segmento, com uma linhagem que remonta ao 2CV, passando pelo Saxo e, mais recentemente, o C1.

Questionado se este possível projeto possível pelo programa E-Car e o suposto “renascimento” do 2CV seriam o mesmo, Chardon esclareceu que, apesar de não se tratar de um novo 2CV, observa paralelismos entre as necessidades dos consumidores do pós-guerra e as do panorama atual.

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Segundo Chardon, este possível novo modelo inspirar-se-ia no espírito funcional e acessível do 2CV, mas não adotaria um design retro. A prioridade seria oferecer mobilidade acessível, simplicidade e versatilidade, adaptadas às necessidades atuais.

O executivo acrescenta que este futuro citadino elétrico deverá posicionar-se abaixo do C3, atualmente o modelo mais pequeno da gama, mas já demasiado grande para substituir verdadeiramente o C1.

O objetivo mais provável será lançar um carro compacto, com cinco lugares e capacidade para circular ocasionalmente em autoestrada, mantendo um preço acessível sem recorrer a subsídios, assim como o C1 foi. Algo descrito por Chardon como um “desafio complexo” no contexto das exigências técnicas do setor automóvel.

Não é a única forma, mas a mais provável

Chardon afirmou que o programa E-car “não é a única forma” de tornar este projeto possível, mas acrescentou que “é a forma mais provável de encontrar uma equação que seja acessível para os clientes e economicamente viável para nós”.

Estas declarações surgem pouco depois de o responsável da marca irmã Peugeot, Alain Favey, ter dito à Autocar que também está a ponderar um novo elétrico acessível, no espírito do antigo 108.

É provável que, à semelhança do C1 e do 108, que os modelos sucessores partilhem muito entre si, mas nem Favey nem Chardo revelaram se estão a desenvolver o projeto desta forma.

Certo é que a decisão final dependerá de como a União Europeia definirá este novo programa, que irá influenciar outras marcas como a BYD e a Dacia, também interessadas no regresso dos citadinos urbanos do segmento A.