Mercado automóvel cresce 10,3% e elétricos ganham terreno em 2026

O mercado automóvel português mantém a trajetória de crescimento em 2026. Até agosto foram matriculados 197.632 veículos novos, mais 10,3% do que no mesmo período de 2025. Só em agosto, as vendas aumentaram 11,3%, com os elétricos a atingirem uma quota recorde de 36,1% nos ligeiros de passageiros

O mercado automóvel português continua a crescer e ganhou velocidade em agosto. De acordo com os dados divulgados pela ACAP – Associação Automóvel de Portugal, foram matriculados 17.209 veículos automóveis no oitavo mês do ano, mais 11,3% do que em agosto de 2025. O resultado representa uma aceleração face aos 8,6% de crescimento registados em julho.

No acumulado de janeiro a agosto, foram colocados em circulação 197.632 veículos novos, valor que traduz um crescimento de 10,3% face aos 12 meses homólogos. A evolução mantém o mercado nacional numa trajetória positiva e aproxima o setor de volumes que não eram observados há vários anos.

Nos ligeiros de passageiros, foram matriculadas 169.323 unidades nos primeiros oito meses, mais 9,5% do que no mesmo período de 2025. Só em agosto foram registados 14.086 automóveis desta categoria, correspondendo a uma subida homóloga de 8,4%.

Elétricos já representam mais de um quarto do mercado

A transformação do mercado português continua a ser particularmente evidente na eletrificação. Entre janeiro e agosto, 75,6% dos novos ligeiros de passageiros eram movidos por energias alternativas, com os elétricos, híbridos e híbridos plug-in a assumirem uma posição cada vez mais importante.

Os veículos 100% elétricos representaram 26,8% das matrículas de ligeiros de passageiros no acumulado do ano, com 45.388 unidades. O crescimento face aos primeiros oito meses de 2025 foi de 43,1%.

Mas foi em agosto que a progressão dos elétricos ganhou maior expressão. Foram matriculados 5.079 automóveis ligeiros de passageiros elétricos, mais 65,2% do que no mesmo mês do ano passado. A quota dos BEV atingiu 36,1% do mercado, o valor mais elevado do ano até ao momento.

O conjunto formado por elétricos, híbridos plug-in e híbridos elétricos totalizou 10.391 matrículas em agosto, mais 20,5% do que um ano antes. Estes veículos representaram 73,8% de todos os ligeiros de passageiros novos matriculados no mês. No acumulado, somam 116.679 unidades, correspondentes a 68,9% do mercado.

Gasolina e gasóleo perdem espaço

A crescente eletrificação está a alterar rapidamente a composição do mercado português. Entre janeiro e agosto, os automóveis a gasolina representaram 20,8% das novas matrículas, enquanto os modelos a gasóleo ficaram reduzidos a apenas 3,6%.

A diferença face às motorizações eletrificadas é particularmente expressiva e confirma uma tendência que se tem vindo a acentuar no mercado nacional: os motores exclusivamente alimentados por combustíveis fósseis ocupam uma parcela cada vez menor das vendas de automóveis novos.

Comerciais ligeiros também aceleram

O crescimento não está limitado aos automóveis de passageiros. O mercado de ligeiros de mercadorias registou 2.449 matrículas em agosto, mais 21,8% do que no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, são já 22.299 unidades, mais 9,8%.

Também neste segmento a eletrificação avança rapidamente. Em agosto foram matriculados 835 comerciais ligeiros elétricos, mais 227,5% do que um ano antes, garantindo uma quota de 34,1%. Entre janeiro e agosto, as matrículas de comerciais elétricos ascenderam a 5.116 unidades, um crescimento de 149,4%, passando a representar 22,9% do mercado.

O mercado dos ligeiros de mercadorias eletrificados — incluindo elétricos, híbridos plug-in e híbridos elétricos — cresceu ainda mais: 875 unidades em agosto, mais 230,2%, e 5.358 unidades no acumulado, uma subida de 155,5%.

Peugeot 2008 mantém liderança

Entre os modelos, o Peugeot 2008 continua a liderar o mercado português no acumulado até agosto, com 5.442 unidades matriculadas e uma quota de 3,21%. Apesar da liderança, o modelo regista uma quebra de 5,3% face ao mesmo período de 2025.

O segundo lugar pertence ao Peugeot 208, com 4.660 unidades, seguido pelo Citroën C3, com 4.492, e pelo Dacia Sandero, com 4.125.

A quinta posição é ocupada pelo Tesla Model 3, que soma 3.719 unidades nos primeiros oito meses, mais 28,7% do que as 2.889 registadas no mesmo período de 2025.

O desempenho mensal, contudo, foi bastante diferente. Em agosto, o Dacia Sandero foi o modelo mais matriculado, com 511 unidades, à frente do Citroën C3, com 435, e do Dacia Duster, com 324. O Peugeot 2008 ficou pelas 185 unidades no mês.

Tesla Model 3 com resultado anormal em agosto

O desempenho do Model 3 merece uma nota particular. Apesar do crescimento de 28,7% no acumulado, o modelo registou apenas uma matrícula em agosto, contra 158 no mesmo mês de 2025.

O resultado contrasta de forma significativa com o desempenho obtido pelo modelo nos meses anteriores e deverá ser interpretado com prudência, uma vez que as matrículas podem sofrer variações mensais relacionadas com entregas, disponibilidade de veículos ou gestão de stocks. Ainda assim, o Model 3 mantém-se no top cinco do mercado nacional no acumulado do ano.

Mercedes-Benz lidera entre as marcas em agosto

Entre as marcas, a Mercedes-Benz foi a mais matriculada em agosto no mercado de ligeiros de passageiros, com 1.279 unidades, seguida pela Dacia, com 1.232, BMW, com 1.113, Toyota, com 910, e Peugeot, com 807.

No acumulado de janeiro a agosto, a liderança pertence, contudo, à Peugeot, com 15.682 unidades. A Mercedes-Benz ocupa a segunda posição, com 12.716, seguida pela Dacia, com 11.075, BMW, com 10.558, e Volkswagen, com 10.015.

Veículos pesados registam forte crescimento

O mercado de veículos pesados apresenta igualmente uma evolução muito positiva. Em agosto foram matriculadas 674 unidades, mais 45,9% do que no mesmo mês de 2025. Nos primeiros oito meses do ano, o total ascende a 6.010 veículos, traduzindo um crescimento de 39,6%.

Também aqui a eletrificação começa a ganhar expressão. Entre janeiro e agosto foram matriculados 700 veículos pesados eletrificados, mais 357,5% do que no período homólogo, embora partindo ainda de uma base reduzida.

Os dados da ACAP mostram, assim, um mercado português em crescimento, mas também em profunda transformação. A subida global das matrículas é acompanhada por uma mudança acelerada nas motorizações escolhidas pelos consumidores e pelas empresas, com os elétricos e restantes tecnologias eletrificadas a conquistarem uma parcela cada vez maior do mercado.

Se esta tendência se mantiver nos últimos quatro meses do ano, 2026 deverá fechar como mais um ano de forte crescimento da eletrificação automóvel em Portugal, ao mesmo tempo que gasolina e, sobretudo, gasóleo continuam a perder peso nas novas matrículas.