O empresário britânico e piloto histórico Jim Morris vai alinhar na edição de 2026 da mítica subida de Pikes Peak com um ambicioso propósito: superar os 10m48s estabelecidos em 2018 como recorde para veículos de tração dianteira.
Jim Morris prepara-se para competir na 104.ª edição da Pikes Peak International Hill Climb, a 21 de junho de 2026, com um Volkswagen Golf GTI de mais de 500 cv desenvolvido pela sua empresa. O objetivo é bater o recorde de tração dianteira, numa prova onde a própria Volkswagen já deixou marca histórica
O empresário britânico e piloto histórico Jim Morris vai alinhar na edição de 2026 da mítica subida de Pikes Peak com um ambicioso propósito: superar os 10m48s estabelecidos em 2018 como recorde para veículos de tração dianteira.
O convite para participar chegou no início deste ano, mas a ligação emocional à prova remonta à infância, quando lia sobre a “Race to the Clouds” na Autosport. Agora, transforma essa admiração num projeto concreto, desenvolvido ao longo de quatro anos.
Para atacar a montanha do Colorado, Morris escolheu um Volkswagen Golf GTI profundamente modificado e desenvolvido pela sua empresa, a GTS Motorsport, em Warwickshire.
O modelo ultrapassa os 500 cv e integra um pacote aerodinâmico assinado por John Iley, especialista com experiência em Fórmula 1. Conta ainda com componentes de referência na competição: travões Alcon, transmissões Xtrac e motorização com apoio da Swindon. Grande parte das peças foi projetada e fabricada no universo empresarial do próprio Morris, transformando o carro num projeto industrial com ambição desportiva.
A Pikes Peak International Hill Climb apresenta 12,42 milhas (19,98 km), 156 curvas e uma meta situada a 4.267 metros de altitude. A rarefação do oxigénio penaliza motores de combustão, reduzindo potência e exigindo afinações específicas. Ao mesmo tempo, a ausência de margens de erro torna cada subida um exercício de precisão absoluta.
Num cenário destes, extrair o máximo de um carro de tração dianteira é um desafio técnico acrescido, sobretudo na gestão de motricidade e estabilidade em zonas de forte inclinação e alta velocidade.
A escolha de um Golf não é inocente. A Volkswagen tem uma história marcante em Pikes Peak.
Em 1987, um Volkswagen Golf especialmente preparado, com 652 cavalos de potência, foi conduzido por Jochi Kleint na tentativa de conquistar a montanha. O projeto tornou-se um dos ícones da era mais selvagem da prova, simbolizando a aposta da marca alemã em soluções radicais para enfrentar o traçado norte-americano.
Décadas depois, já na era elétrica, a Volkswagen regressou para redefinir os limites. Em 2018, o protótipo elétrico ID R, pilotado por Romain Dumas, estabeleceu um novo recorde absoluto da prova com o impressionante tempo de 7m57,158s — superando a anterior melhor marca geral de 8m13,878s na Pikes Peak International Hill Climb.
O ID R fixou ainda um recorde específico da marca com 8m57,118s numa das suas investidas iniciais, antes de baixar drasticamente o registo até ao histórico tempo abaixo dos oito minutos.


A transição da combustão extrema dos anos 80 para a eficiência brutal dos elétricos ilustra a evolução tecnológica da prova — mas também sublinha a importância da engenharia no sucesso em altitude.
O plano de Morris prevê uma fase intensiva de testes a partir da segunda quinzena de fevereiro, seguida do envio do carro para o Colorado. Antes da corrida, o próprio piloto realizará sessões de afinação na montanha, ajustando o Golf às exigências únicas de altitude e clima.
Se em 1987 o Golf de 652 cv simbolizava a ousadia mecânica de uma era, e em 2018 o ID R redefiniu os limites absolutos com propulsão elétrica, em 2026 será um GTI de mais de 500 cv, com tração dianteira, a tentar escrever o seu próprio capítulo na história de Pikes Peak.