Uso de carro da empresa para fins pessoais passa a ser tributado

A utilização do carro da empresa para fins pessoais passa a pagar IVA (23%). A medida aplica-se aos automóveis elétricos, híbridos plug-in (PHEV) e movidos a GPL ou gás natural cujo IVA no ato da compra tenha sido deduzido

Em ofício datado de 21 de novembro, a Autoridade Tributária (AT) vem impor que as empresas passem a pagar IVA sobre a utilização para fins particulares dos automóveis que adquiriu, deduzindo a 100% o IVA (elétricos, híbridos plug-in (PHEV), e movidos a GPL ou gás natural. A enquadra esse uso como uma prestação de serviço, entendimento que estará alinhado com o Tribunal de Justiça da União Europeia.

Para uma melhor compreensão vamos utilizar como exemplo uma empresa que tenha adquirido um automóvel elétrico no valor de 50 000 € em regime de locação financeira com uma renda mensal de 800€. O regime vigente permite a dedução total do IVA (800€x 23%) no valor de 184€. Todos os meses essa empresa é obrigada a comunicar à Autoridade Tributária um mapa onde conste o número de quilómetros percorridos por essa viatura com propósitos profissionais e aqueles que foram realizados no âmbito pessoal, em férias, fins-de semana ou mesmo durante a semana. Imaginando que num dado mês o número de quilómetros percorridos a título privado representou 40% do total declarado de quilómetros percorridos então essa empresa tem que pagar ao Estado o valor de 73,60€ (800€ x 23% x 40%).

A nota da Autoridade Tributária apanhou de surpresa quase toda a gente e é por muitos vista como a primeira medida para o Estado começar a compensar a perda de receita resultante do aumento das vendas de automóveis elétricos e PHEV. No entanto, vale a pena recordar que esta não é a primeira vez que o Estado coloca em cima da mesa a possibilidade de taxar o uso dos carros de empresa (que beneficiam de regime fiscal favorável) para fins estritamente pessoais, à semelhança, aliás, do que acontece em países como a Bélgica ou os Países Baixos.

E não sendo nova essa intenção é igualmente importante recordar que a principal questão anteriormente colocada é agora repetida pela generalidade dos especialistas, a começar pelos Técnicos Oficiais dos Técnicos de Contas: como vai ser possível concretizar esta intenção que terá como consequência afogar todos os meses as empresas e a própria Autoridade Tributária em documentos?

A confusão, no entanto, está lançada e as implicações no mercado automóvel (assegurado em quase 80% pelas vendas profissionais) prometem não ficar pela superficialidade.