Apenas 12 carros a gasolina vendidos na Noruega em fevereiro

A Noruega voltou a confirmar a rápida transição para a mobilidade elétrica. Em fevereiro, apenas 12 automóveis a gasolina foram vendidos no país, enquanto os veículos 100% elétricos atingiram uma quota recorde de 98% das vendas. Os restantes registos incluem híbridos e alguns modelos a diesel

Os dados divulgados pelo conselho norueguês de informação sobre o tráfego rodoviário — Opplysningsrådet for Veitrafikken — mostram que os automóveis com motor de combustão interna estão praticamente a desaparecer do mercado norueguês.

Em fevereiro, o registo de veículos não elétricos distribuiu-se da seguinte forma:

  • 12 veículos a gasolina
  • 20 híbridos convencionais (sem tomada)
  • 40 híbridos plug-in
  • 67 veículos a diesel

Apesar destes números residuais, os veículos 100% elétricos dominam quase totalmente as vendas de automóveis novos no país.

Lealdade às marcas explica parte das compras

Existe a perceção de que os poucos carros a gasolina vendidos seriam modelos muito específicos ou sem alternativa elétrica. No entanto, os dados sugerem outra realidade.

A fidelidade à marca ou um perfil mais conservador de alguns compradores parecem explicar melhor estas escolhas. Hoje em dia, praticamente todos os segmentos automóveis já contam com alternativas elétricas competitivas em preço, desempenho e autonomia.

Além disso, a política fiscal norueguesa continua a favorecer fortemente os elétricos, com impostos significativamente mais elevados sobre veículos a combustão.

Mazda CX-30 lidera entre os poucos modelos a gasolina

Entre os automóveis exclusivamente a gasolina vendidos em fevereiro, apenas oito modelos diferentes foram registados. O mais popular foi o Mazda CX-30, responsável por um quarto das vendas.

Outros modelos vendidos incluem:

  • BMW X1 – 2 unidades
  • Land Rover Range Rover – 2 unidades
  • BMW M2 CS – 1 unidade
  • BMW X7 – 1 unidade
  • Land Rover Range Rover Sport – 1 unidade
  • MINI Cooper – 1 unidade
  • Porsche 911 – 1 unidade

A maioria destes veículos pertence a segmentos premium ou de alto desempenho, reforçando a hipótese de que muitos compradores escolhem estes modelos por preferência de marca.

Curiosamente, modelos compactos como o Suzuki Ignis e o Suzuki Swift, que ainda surgiam nas estatísticas em 2024, já desapareceram da lista.

Toyota domina os híbridos convencionais

Nos híbridos sem tomada, apenas duas marcas aparecem nas vendas de fevereiro: Toyota e Porsche.

O destaque vai para o Toyota Yaris, responsável por 15 das 20 unidades vendidas. O restante divide-se entre:

  • Porsche 911 – 3 unidades
  • Porsche 911 Turbo – 1 unidade
  • Toyota Yaris Cross – 1 unidade

Durante anos, o Yaris híbrido beneficiou da falta de alternativas elétricas no segmento dos citadinos. Hoje, porém, já existem vários modelos elétricos de dimensão semelhante no mercado europeu.

Híbridos plug-in continuam a cair, mas ainda lideram

Os híbridos plug-in foram a categoria de combustão mais vendida, com 40 unidades. Ainda assim, as vendas destes modelos têm vindo a cair gradualmente na Noruega devido ao aumento da carga fiscal.

Mesmo assim, muitos continuam a optar por estes veículos, que quando carregados regularmente conseguem consumos significativamente inferiores aos híbridos convencionais ou aos modelos a gasolina.

Entre os mais vendidos destacam-se:

  • Volvo XC60 – 8 unidades
  • Ford Transit Custom – 5 unidades
  • Land Rover Range Rover Sport – 4 unidades
  • Mazda CX-60 – 3 unidades
  • Porsche Cayenne – 3 unidades
  • Porsche Panamera – 3 unidades
  • Volvo XC90 – 3 unidades

Outros modelos — como o BMW M5, o Mitsubishi Outlander PHEV ou o Toyota RAV4 — registaram apenas uma venda.

Noruega aproxima-se do fim dos carros a combustão

A Noruega é considerada o mercado automóvel mais avançado do mundo na transição energética. O país pretende que todos os carros novos vendidos sejam de emissões zero já a partir de 2025.

Com os elétricos a atingir 98% de quota de mercado em fevereiro, o objetivo está praticamente alcançado. Os poucos veículos a combustão que ainda surgem nas estatísticas parecem resultar sobretudo de preferências individuais — e não da falta de alternativas elétricas.