Voltar onde fomos felizes – Praias Fluviais

Portugal é tão pequeno que não faz sentido repetirmos locais onde já nos deslumbrámos. Nada de mais errado: a mesma paisagem pode ser vista de mil maneiras, em função de mil outras coisas. A descoberta das praias fluviais das Aldeias do Xisto mostrou-nos que vale a pena voltar onde já fomos felizes. Não hesite: reserve a última semana de férias para recuperar forças aqui.

Voltámos à região Centro e às Aldeias do Xisto, dois dos nossos mais preciosos tesouros que, não tenha dúvida, vale a pena visitarmos. E revisitarmos. Se no outono ou no inverno aldeias como a Lousã, Piodão ou Arganil nos aconchegam pela rusticidade e pela contrastante tranquilidade, agora a lagartixa estiraçada ao Sol impiedoso traznos memórias de um tempo de que já não nos recordávamos. Afinal, vale a pena voltarmos a locais onde já fomos felizes…

Até porque, para lá desse privilégio irreal que é escutar os sons da madrugada morna sob o alpendre de uma das casas magnificamente recuperadas, há, nesta altura algo mais (que é muito mais) que não encontramos em mais nenhum lugar do Mundo: o prazer de nos banharmos em rios de águas límpidas, que, infelizmente, a única coisa que não conseguem é congelar-nos para sempre esse momento de irrepetível prazer. Se por um feliz acaso ainda vai a tempo não hesite: reserve a última semana destas suas férias de verão para conhecer as praias das Aldeias do Xisto. Uma oferta diversificada na região Centro, a uma hora e meia de Lisboa e do Porto, que pode conhecer (selecionar) em www.aldeiasdoxisto. pt mas das quais escolhemos as seis que este ano são merecedoras de Bandeira Azul, que atesta a qualidade ambiental, dos equipamentos e de toda a envolvente.

No site da Comissão de Turismo da região centro estão catalogadas 46 praias fluviais, 21 das quais estão integradas na rede das Aldeias do Xisto, um total de 27 aldeias distribuídas por 16 concelhos no perímetro entre Castelo Branco e Coimbra. Como referimos, damos, desta vez, merecido realce àquelas que exibem este ano o importante símbolo que é a Bandeira Azul, mas esteja certo de que uma semana (pelo menos) de férias nesta região será uma permanente descoberta de aldeias encantadoras, praias, rios e paisagens deslumbrantes.

 

ALVOCO DAS VÁRZEAS (OLIVEIRA DO HOSPITAL)

GPS: 40º18’02.83’’ N / 7º50’’09.94’’ W   TEL. 238605250

Seguindo um critério meramente alfabético (algum tinha que ser), “paramos” em Alvoco das Várzeas. A partir de Oliveira do Hospital tomamos a direção de Penalva do Alva, Santo António do Alva e Ponte das Três Entradas. Viramos, então, à esquerda pela N230 e cerca de três quilómetros depois chegamos a Alvoco das Várzeas. Alcançamos a praia (com boas indicações) no final de uma estrada estreita entre casas, ou contornando a aldeia e descendo pela ponte medieval do Séc. XVI (monumento nacional).

Antes de o fazer, pare e aprecie a vista na Serra da Estrela. O ambiente verdejante e o som da cascata que se precipita no leito da Ribeira de Alvoco cativa-nos imediatamente, mas o que destacamos é a transparência das águas que, segundo alguns, são as mais límpidas de toda a rede de praias fluviais. Agostinho Marques, o presidente da Junta de Freguesia de Alvoco das Várzeas, não esconde o orgulho na “sua” praia que vigia em permanência, o que explica o estado imaculado do areal e a excelência das estruturas complementares: restaurante, sanitários, parque infantil e uma ampla zona verde para piqueniques. Não longe daqui, podemos (devemos) visitar o Açude da Moenda, para além de diversos moinhos de água.

 

LOUÇAINHA (PENELA)

GPS: 40º01’35,36’’N | 8º18’16,88’’W   TEL. 239560120

Desde Penela seguimos pelo IC3 e na ponte viramos à esquerda na direção da Serra do Espinhal. A estrada é muito estreia e as indicações são escassas. Passamos por Carvalhal da Serra, Bajancas, Fundeiras e Malhada Velha, e, enfim, lá chegamos a Louçainha.

Os prémios mais difíceis são os mais saborosos. É o que recordamos quando finalmente alcançamos à muito bem cuidada praia da Louçainha envolta por uma vegetação quase luxuriante e com uma zona relvada bem cuidada. A extensa zona para banhos resulta da adaptação das represas naturais da ribeira da Azenha e apresenta diversas profundidades: desde uma zona para crianças até à parte junto à prancha de saltos, com quase três metros de profundidade. A qualidade e a transparência das águas impressionam, bem como as estruturas de apoio: restaurante com excelentes petiscos (e com preços mais do que convidativos) e até, equipamentos específicos para pessoas com mobilidade limitada.

Além de percursos pedestres que nos oferecem vistas magníficas, vale a pena visitar o Castelo de Penela, fortaleza medieval utilizada pelos Romanos para vigiar a estrada MeridaConimbriga-Braga, declarado património Nacional em 1910. A uma dúzia de quilómetros daqui, em Miranda do Corvo, a nossa (fortíssima) recomendação vai para a visita à Aldeia de Gondramaz, muito bem preservada, já em plena Serra da Lousã. É um verdadeiro banho de tranquilidade, ponto de partida para passeios a pé ou de bicicleta.

 

JANEIRO DE BAIXO (PAMPILHOSA DA SERRA)

GPS: 40º02’45,02’’N | 7º48’16,65’’W   TEL. 235590320

No município da Pampilhosa da Serra encontramos três das seis praias fluviais das Aldeias do Xisto, com Bandeira Azul. Janeiro de baixo é uma delas. Alcançamo-la partindo da Pampilhosa, pela EN 112 em direção a Castelo Branco. Cerca de 12 quilómetros e “1001” curvas depois, surge-nos à esquerda a indicação da Barragem de Santa Luzia e Janeiro de Baixo. Após este desvio (existem boas indicações) a praia fica no meio desta Aldeia do Xisto, cerca de 6 quilómetros mais à frente.

A praia aproveita uma zona um pouco mais larga do estuário do rio Zêzere e conta com uma extensa zona de areia branca, que ali é colocada todos os anos. O rio corre calmo e apresenta zonas de profundidade variável. Além do parque de campismo, há uma zona de piqueniques relvada e com muita sombra, sanitários e um restaurante onde podemos alugar canoas para passeios no rio. Ao redor, recomenda-se a visita a pé à aldeia de Janeiro de Baixo, onde não faltam motivos pitorescos, como o moinho de pedra cravado na rocha ou o tronco de ferrar. Não muito distante, a aldeia de Janeiro de Cima merece ser visitada.

 

PESSEGUEIRO (PAMPILHOSA DA SERRA)

40º03’07,32’’N | 8º01’26,05’’W TEL. 235590320

Quem vem da Lousã para Pampilhosa da Serra, pela EN 112 já no topo da colina vai encontrar do lado direito a indicação para a aldeia de Pessegueiro. Em Sobral de Cima devemos tomar a direção de Ramalheira e daí existem indicações para Pessegueiro.

O que lhe podemos assegurar é que, lá em cima, na estrada principal, não conseguimos, sequer, imaginar aquilo que nos aguarda. Muito bem cuidada, a aldeia de Pessegueiro é uma espécie de presépio encaixado num vale em cujas encostas se empoleira a Igreja Matriz e o casario branco bem preservado. O parque fluvial é um exemplo de uma infraestrutura de grande qualidade que tanto serve as populações locais, como deslumbra quem lá passa. Além do moinho de água, destaque para o antigo lagar, muito bem recuperado, onde funciona agora um bar. A límpida água da Ribeira de Pessegueiro, afluente do Zêzere, corre por entre uma ampla zona relvada muito bem cuidada, com zonas de sombra e de sol, destacando-se, ainda, o restaurante e o parque infantil, além de uma piscina que aproveita, também, as águas da ribeira.

 

SANTA LUZIA (PAMPILHOSA DA SERRA)

GPS: 40º05’24,90’’N | 7º51’13,44’’W TEL. 235590320

Para alcançar a Barragem de Santa Luzia, deve seguir as indicações que anteriormente fornecemos para a Praia de Janeiro de Baixo. A dada altura, porém, em vez de virar à direita, siga em frente. Existem boas indicações.

Antes de descer para a barragem detenhase no miradouro e aprecie a imensidão (50 quilómetros quadrados) desta obra que aproveita as águas dos rios Unhais e Ceira. Repare como a barragem se encaixa de forma perfeita nas formações rochosas e nas falésias abruptas. Desça agora, calmamente, até à zona de praia. Na verdade, são três áreas distintas, servidas por bons estacionamentos, que têm em comum a qualidade e o facto de nos oferecerem aquilo que realmente pretendemos: sombra com equipamentos para churrascos, um extenso areal que “cai” sobre as águas da barragem ou, para quem preferir, uma piscina flutuante facilmente acessível a partir da margem. Qualquer que seja a nossa preferência, é impossível não nos sentirmos bem aqui. Ao redor, além de um restaurante, existem diversos trajetos pedestres (ou ciclovia) por onde nos podemos embrenhar (e isolar), um dos quais nos conduz à Aldeia de Fajão.

 

PENEDA (GOIS)

GPS: 40º09’14,34’’N | 8º 06’43,32’’W   TEL. 235 770110

Basta seguir as indicações de Gois pois a praia fica mesmo no centro, junto à ponte sobre o Rio Ceira.

Beneficiando da localização privilegiada entre as serras da Lousã e do Açor, a vila de Gois (com mais de 800 anos) cativa-nos imediatamente pelo arranjo e pela tranquilidade. Podemos partir pela serra, seguindo algum dos múltiplos trilhos bem marcados, mas é mesmo em pleno coração da vila que estão alguns dos tesouros principais, como a capela do Mártir S. Sebastião que integra um conjunto museológico diversificado e importante. A praia da Peneda está mesmo sob a lindíssima Ponte Joanina, construída no Séc. XVI. No meio de um arvoredo magnífico o parque fluvial comporta um restaurante e um bar mesmo sobre a àgua, zonas de apoio, como vestiários e wc, mas o destaque vai para o areal banhado pelo sol e muito bem cuidado que se estende ao longo do rio com diversas profundidades.

Mesmo que a praia não esteja nos seus planos, não prescinda de um passeio pela margem do rio, usufruindo de uma sombra que até refresca a alma, ou mesmo de um café no bar lacustre (e só é pena a música aos “gritos”, verdadeira poluição num local que merecia outro respeito).

 

VOLKSWAGEN TIGUAN

Uma viagem pode marcarnos pelas paisagens, pela companhia, pelo carro que utilizámos: o VW Tiguan 2.0 TDi, com 110 CV que nesta versão Cup recebe muito equipamento adicional, sem acréscimo de preço (35342€). Além do conforto, de salientar o facto de termos conseguido chegar, sem problemas, a locais “proibidos” a um automóvel convencional, mesmo tratando-se da versão de tração apenas dianteira. Capaz de manter um bom ritmo de viagem, o Tiguan revelou sempre uma boa disponibilidade, mesmo nas estradas de serra, mas a surpresa maior foi verificar que, em utilização mista com quatro pessoas o consumo não passou dos 7,1 litros aos cem.

 

HOTEL COM HISTÓRIA

Em pleno centro histórico, o Hotel Palácio da Lousã é o primeiro boutique hotel do País. A preservação da traça original do antigo Palácio da Viscondessa do Espinhal – declarado Património de Interesse Público –é só um dos motivos que justifica a sua escolha como “base” para a visita às praias das Aldeias do Xisto. Depois de um dia fantástico que nos enche a alma não encontramos, na verdade, melhor epilogo para recuperarmos forças para o dia seguinte, seja numa das magníficas salas desta excelente unidade hoteleira, num dos 46 quartos, na revigorante piscina ou na lindíssima sala de jantar cuidadosamente decorada. Reservas e todos os detalhes em www.palaciodalousa.com

Partilhar