VISEU, LAFÕES E MUITO MAIS

Texto: Júlio Santos

Viseu é o ponto de partida para a descoberta de paisagens que vão encher-lhe o cartão de memórias fantásticas. O artesanato, a gastronomia (incluindo os vinhos, claro), mas também as paisagens e o património histórico tornam esta visita inesquecível.

 

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Há locais cujo principal encanto é deixarem-nos perdidos nos nossos pensamentos, à deriva no tempo, numa fascinante viagem por leituras e um passado esquecido. São locais que achávamos saídos das páginas de Eça de Queirós ou Miguel Torga que quase parecem fantasmas no vertiginoso mundo do “bit”. Se não entende do que falamos, então “pegue” no carro, deixe São Pedro do Sul pela EN 228, tome mais à frente a EM 559 em direção à aldeia de Sul e suba ao topo da Serra de São Macário. A paisagem é soberba mas o melhor está para vir. Aventure-se serra abaixo pela estrada encavalitada entre rochedos, seguindo a direção de Aldeia de Pena.

Apure os sentidos, sacuda a vertigem, abra bem os olhos. Lá em baixo, quase fundindo-se com a vegetação surgem os tetos em xisto da minúscula Aldeia da Pena. À medida que nos aproximamos as dúvidas vão-se desvanecendo. Saídas da penumbra, envoltas pelo fumo das lareiras que tentam derreter o inverno e as tímidas duas a três horas diárias de exposição solar, as casas em granito, bem conservadas, confirmam que, por incrível que possa parecer, há gente que vive ali. Há um cão que abana a cauda e uma galinha que nos denuncia. Uma rapariguinha de 5-6 anos vem à janela. É a filha mais nova do casal que explora o bar/restaurante, uns metros mais adiante, a caminho da loja de artesanato que anuncia “promoções”. Deixaram a cidade e foram para ali dar vida à aldeia e procurar uma nova vida de tranquilidade. Encontraram-na. Servem conversa e uma magnífica linguiça assada acompanhada pelo queijo da região e pão de trigo. Servem o aconchego de uma lareira que vem mesmo a calhar. Fixe: Aldeia de Pena.

O regresso é pela mesma estrada, até S. Pedro do Sul, acompanhados pelo Vouga que corre, cheio, por entre choupos que no Verão dão sombra à improvisada praia fluvial. O ponto alto da vila são, porém, as suas termas cujas propriedades terapêuticas das suas águas (para tratamentos dos ossos e das vias respiratórias) foram descobertas pelos romanos há mais de dois mil anos. Foi ali, também, nas então Caldas Lafonenses que em 1169 o rei D. Afonso Henriques recuperou do ferimento de uma perna sofrido durante a batalha de Badajoz e, em reconhecimento, mandou construir a Capela de S. Martinho que ainda hoje ali está.

Pode ser que o tempo não incentive mas deixe o carro, visite o antigo edifício termal mandado remodelar pela Rainha D. Amélia (rendida aos milagres que ela própria experimentou) e ali ao lado não se despeça sem um café e um Vouguinha que bem pode servir de aperitivo para um inesquecível cabrito serrano no restaurante Ti Joaquim. Mas a boa mesa é apenas mais um dos atributos desta região de Lafões que (como já percebeu) tem nos vinhos outro importante cartão de visita. Se vai prosseguir viagem não se deixe influenciar. Caso opte (e bem) por dormir aqui, a oferta hoteleira é vasta, diversificada e de grande qualidade. Recomendamos esta opção até porque no dia seguinte tem já meio caminho andado para subir à Serra do Caramulo famosa, outrora, pelo Sanatório fundado pelo pneumologista Abel de Lacerda mas a que não faltam hoje motivos para uma visita obrigatória. Desde logo, a esplendorosa paisagem que nos aguarda no topo do miradouro do Caramulinho e a visita à Fundação Abel e João de Lacerda composta por uma excelente galeria de arte com obras únicas e, claro, o Museu do Automóvel. Duas preciosidades que dificilmente imaginamos que possam existir fora dos principais centros urbanos e que persistem graças à tenacidade dos herdeiros dos fundadores.

Se é um apaixonado pela arte e pelos automóveis reserve um generoso (e bem aplicado) par de horas para a visita aos dois museus (www.museu-caramulo.net), almoce por ali perto e pelo final da tarde abra os pulmões no topo da serra. Faça por regressar a Viseu ainda com a luz do dia pois a paisagem bem o merece. Os espigueiros e os campos de vinha ganham, na verdade, uma tonalidade quase idílica com os últimos raios de sol. Uma imagem que merece a pena guardar no cartão de memória e na sua cabeça pois, como acontece com a maioria das cidades do interior, a entrada em Viseu não vai deixar-lhe grandes recordações.

É necessário “descobrir” o centro da cidade para que nos rendamos aos seus encantos. Faça-o a pé. Como todas as cidades medievais, o centro histórico de Viseu é um estimulante labirinto de ruelas formado por casas de pedra muito bem recuperadas e ruelas ingremes mas plenas de vida que nos conduzem, quase obrigatoriamente, à praça da Sé Catedral datada do século XII e cujas sucessivas obras de recuperação lhe foram acrescentando diversos e às vezes antagónicos estilos arquitetónicos. É sem dúvida um testemunho magnífico da ocupação romana cuja visita ao interior, sobretudo à lindíssima capela gótica, recomendamos vivamente. Logo ali à esquerda, reserve também algum tempo para visitar o Museu Grão Vasco onde entre as inúmeras peças de arte únicas pode apreciar os famosos 14 quadros da vida de Cristo que outrora ornamentavam as paredes da Sé.

Antes de descer, de se aventurar, de novo, empedrado abaixo, faça uma paragem num dos bem decorados (e característicos) cafezinhos, muito bem recuperados onde nos apetece, sem dúvida, pôr as leituras em dia. Se está com crianças é natural que elas se impacientem e talvez esteja na hora de as compensar com uma visita ao Palácio do Gelo que inclui spas, piscinas e um enorme ringue de patinagem, além do já famoso bar Minus 5º totalmente (paredes, mesas, bancos, balcão e até os copos) construído em gelo vindo dos glaciares do Canadá. Não sendo o momento mais alto de uma viagem por entre gastronomia inesquecível, paisagens únicas e um património histórico de excelência, este bem pode ser o local para recordarmos um fim-de-semana cheio de histórias e regressarmos ao nosso mundo artificial.

 

PARCEIRO CERTO

Já sabemos que a qualidade tem um preço e se essa é a explicação para as diferenças entre um parque de campismo e um hotel de cinco estrelas é também por isso que nenhum Range Rover pode ser “em conta”. Se somarmos o facto de, só em impostos, o Range Rover Sport 3.0 SDV6 pagar quase 45 mil euros então não fique de boca aberta se lhe dissermos que o preço final ultrapassa os 106 mil euros – a qualidade tem preço e o Estado arrecada quase tanto como toda a cadeia de produção e distribuição deste magnífico SUV.

Quando reunimos num fim-de-semana um automóvel excecional, um conjunto de paisagens deslumbrantes e um hotel de referência (a nova Pousada de Viseu) então somos tentados a acreditar que o paraíso existe. A versão Sport é 15 centímetros mais curta do que o Range Rover e tem uma vocação mais informal. Sem perder demasiado em conforto ganha uma condução mais dinâmica, mas em cidade os problemas subsistem, já que a largura de quase dois metros não convida a que nos aventuremos nas ruas estreitas. O interior contribui também para este “mix” bem conseguido de requinte, exclusividade, qualidade e sofisticação, com o couro e as aplicações em alumínio a emprestarem um ambiente realmente acolhedor.

Viajar a bordo deste Range Rover Sport é um privilégio. Até mesmo do ponto de vista dinâmico, já que o motor V6 de 3.0 litros com 292 CV consegue manter com facilidade um ritmo bastante vivo e responde com prontidão. Em autoestrada (paga Classe 2) conseguimos conter o consumo ao redor dos 9l/100 km mas em estradas de serra é fácil ultrapassarmos os 11 litros o que, ainda assim, é aceitável dado o peso que supera os 2000 kg e as prestações. Fora de estrada o desempenho é muito bom, mesmo que os pneus com que a unidade ensaiada estava equipada se destinassem a favorecer o conforto e a condução em estrada.