Turbo entrevista a dupla de Jóias Sobre Rodas

Texto: Nuno Fatela
Data: 12 Fevereiro, 2018

Esta semana começa a ser exibida em Portugal a Temporada 14 de Jóias Sobre Rodas, e a Turbo esteve à conversa com a dupla Mike Brewer – Ant Antstead (que substitui Edd China) para saber o que os portugueses podem esperar desta nova senda de episódios, onde será comprado e vendido o carro mais caro de sempre na história do programa. 

Wheeler Dealers, ou Jóias Sobre Rodas para território nacional, é o mais antigo dos programas de televisão dedicados à restauração de clássicos, sendo a musa inspiradora para um alargado conjunto de formatos dedicados a veículos históricos. Após treze temporadas em que Mike Brewer, responsável pela compra dos carros, teve a companhia do mecânico Edd China, passa agora a estar na oficina Ant Antstead, também famoso pelos seus projetos de restauração. Os dois estiveram à conversa com a Revista Turbo, onde nos revelaram os principais destaques da nova temporada.

Na Temporada 14 de Jóias Sobre Rodas, que estreia a 15 de fevereiro pelas 21H no Discovery Channel, vão novamente surgir vários modelos que fizeram história no mundo automóvel. O mais emblemáticos será, provavelmente, o Austin Healey 3000 MKIII de 1965, mas também se juntam nesta série outras incríveis máquinas como o Ford Escort RS Cosworth de 1995, o Toyota Supra de 1982 ou o Ford Mustang Mach I de 1973. Para saber os principais destaques destes novos episódios de Jóias Sobre Rodas, veja a nossa conversa com Mike Brewer e Ant Antstead.

 

O que podemos esperar da Temporada 14 de Jóias Sobre Rodas?

Mike Brewer (MB) Temos um novo mecânico da oficina, o Ant Antstead, mas o programa segue o rumo tradicional. Vamos descobrir carros de oito países do mundo, eu compro-os, como habitualmente, e o Ant vai restaurá-los, usando as suas habilidades pessoais, que são diferentes do anterior mecânico. E depois vamos vendê-los. O que é diferente é que vou comprar o carro mais caro de sempre do programa, e também vamos vender o nosso carro mais caro de sempre.

 

Já nos podes dizer qual é o carro?

(MB) É o Austin Healey 3000, de 1967.

Ant Anstead com o motor do Cosworth.

E para ti Ant, que cresceste como fã do programa, o que representa estar “do outro lado” e fazer parte do programa?

Ant Anstead (AA) É muito estranho, na verdade. O Jóias Sobre Rodas está no ar há tanto tempo, e eu era bem jovem quando ele começou e lembro-me de ver todos os episódios. E, como me tornei amigo do Mike, há seis anos, trabalhar com ele foi uma transição fácil, porque temos uma excelente relação. Entrar na garagem pela primeira vez, trabalhar num carro pela primeira vez em conjunto, foi algo surreal mas muito entusiasmante.

 

E como é a relação entre os dois no programa? Um confronto de titãs ou é algo muito fácil?

(AA) O que é bom no formato é que cada um de nós tem o seu papel individual bem claro. E, como fora do programa somos grandes amigos e socializamos, passamos tempos juntos, acho que a química é bastante boa.

(MB) Para mim foi muito fácil. Eu sempre quis trabalhar com o Ant, e quando ele se juntou a mim em Jóias Sobre Rodas, já o conhecia há cinco anos. Tínhamos uma grande relação e posso genuinamente dizer que temos um entendimento muito melhor sobre os carros do que tinha com o Edd. Percebemos o que o carro representa, o que ele precisa, e o que ambos desejamos na área dos carros clássicos. Facilita todo o processo.

De tal forma que nós até comprámos os mesmos carros, e para nós trabalhar em conjunto era inevitável, se não fosse aqui seria em outro projeto. E, sem qualquer desrespeito pelo anterior mecânico, acho que a química entre nós é muito mais forte, partilhamos os mesmos valores e pretendemos o mesmo para os carros. Vamos os dois muito mais entusiasmados para o processo de restauração. Estou encantado com o programa, foi uma grande mudança para nós, mas acho que precisávamos de um impulso e o Ant levou o programa para um novo nível.

 

De todos os carros que estão nesta temporada do programa (entre os quais o Ford RS Cosworth, o Mustang de 1973, o Supra, o Austin, etc) qual foi o teu favorito?

(MB) O meu favorito foi o Austin Healey. Porque sempre quis um e o preço deles aumentou de forma incrível nos últimos anos. Se não fossemos capazes de o comprar este ano, não teríamos capacidade para comprar um no próximo ano. Fiquei muito feliz por termos encontrado um no Oregon, a norte da Califórnia, um carro bastante bom e com as referências certas. Uma pintura ‘British Racing Green’, as jantes, o grande motor, tal como deve ser. E fiquei encantado, pois enquanto inglês nos Estados Unidos foi como encontrar um pedaço da Inglaterra.

(AA) É fácil. O Ford RS Cosworth. Sempre foi um dos carros que mais pediam para restaurar no Jóias Sobre Rodas, fizemos um design único no carro e isso tornou-o num trabalho muito especial.

Ant Anstead trabalha no escape do Supra

Em termos mecânicos, qual foi o carro mais difícil de trabalhar?

(AA) Mecanicamente, acho que o Ranchero foi uma das melhores recuperações, porque era um carro que estava num estado desastroso, muitos teriam fugido dele, mas o Mike comprou o carro e foi a maior transformação. Por isso acho que o Ranchero foi o mais complicado.

 

 

E o mais fácil?

(AA) Adorei levar ao banco de ensaios o Mustang. O mais fantástico sobre esse carro foi que custou apenas 4000$ e muitos estavam dispostos a pagar bastante por ele. Foi fantástica a potência que foi colocada no carro, foi uma viagem…

 

Também têm nova garagem. Qual é o impacto que isso tem?

(MB) Temos uma garagem na Califórnia, o que torna o programa muito mais fácil de fazer para nós. Os carros na Califórnia normalmente não têm ferrugem, muito menos do que aconteceria se fizéssemos o programa na Europa, o que é bom. E há sol, o que é sempre bom quando levamos os carros para um test-drive o tempo está bem melhor do que se o programa fosse feito na chuvosa Inglaterra.

 

Como foi a adaptação do programa aos Estados Unidos, feita nas temporadas mais recentes? Foi fácil, até pela necessidade de trabalhar com marcas diferentes? Obrigou a “estudar” estes carros?

(MB) Geralmente, os carros americanos são mais fáceis de trabalhar e existe muito mais hipóteses de escolha. E, para um programa como o nosso, podermos transformar o carro de forma muito mais rápida, menos técnica e mais fácil em termos de engenharia, como por exemplo no Mustang, torna mais fácil o restauro do carro.

E para encontrar as peças?

(MB) É uma das coisas boas sobre o Jóias Sobre Rodas, descobrimos que independentemente do local do mundo onde fizéssemos o programa, depois de doze anos no Reino Unido e mais três nos Estados Unidos, é tão fácil encontrar as peças hoje em dia pela internet. Entre 24H e 48H elas chegam. É uma coisa boa sobre o Jóias Sobre Rodas, as peças que encontrávamos com tanta facilidade na Inglaterra, conseguimos encontrá-las com a mesma facilidade nos Estados Unidos. Portanto, não importa o local onde o programa seja feito, encontrar as peças é muito mais fácil hoje em dia.

 

Lançado em 2003, o Jóias Sobre Rodas é uma referência nos programas sobre restauração. Como vêm a expansão desse tipo de programas e isso é uma prova de que os carros são cada vez mais um objeto de culto?

(MB): Sim, fomos o primeiro e somo o mais antigo programa do género. E acho que, com o sucesso de Jóias Sobre Rodas, temos agora cerca de 40 programas de restauração de carros. Ao puxar a história de todos eles para trás, vamos dar ao Jóias Sobre Rodas, o que mostra o nível alcançado neste programa. E isso é um aspeto que nos deixa realmente orgulhosos.

Nós adoramos programas sobre carros, queremos ter o máximo possível de programas de carros na televisão e isso mostra o sucesso que tem a indústria de restauração de carros. E foi particularmente nos últimos dez anos que as pessoas se aperceberam de que os carros são um ativo muito mais rentável do que deixar o dinheiro parado no banco. E isso ajudou a formar esta geração de programas de TV, e estamos muito orgulhosos disso.

 

O facto de comprarem um carro específico, com uma história própria, cria maior ligação do público com essa viatura?

(MB): Sim, escolhemos quais os carros que queremos fazer baseado naquilo que o nosso público quer ver. Sendo totalmente verdadeiro e modesto, quando temos dias livres tanto eu como o Ant vamos a salões e eventos automóveis. Vamos falar com as pessoas, conhecer o nosso público, e descobrir o que eles desejam. Quais os carros que os deixam entusiasmados, qual o carro que querem num poster para colar na sua parede, e depois discutimos isto e decidimos quais os carros que queremos ver no programa. E isso é o motivo do sucesso de Jóias Sobre Rodas, ouvimos a audiência, vemos o que sabemos e podemos dizer sobre a história desse carro, porque somos apaixonados pelos carros. E isso nota-se no ecrã.

Tentamos sempre encontrar carros com problemas que sejam habituais nesse modelo. Por exemplo, se formos comprar um Lotus Elise com motor da ‘K Series’, sabemos que um dos principais problemas com esse carro é a junta da cabeça, que sobreaquece. Portanto tentamos encontrar sempre um carro com esse problema, para poder também mostrar ao público que os vamos ajudar a resolver um problema que possam ter com um carro com um problema idêntico. E isso é uma parte importante do programa.

Como convidariam os portugueses a assistir à nova temporada de Jóias Sobre Rodas?

(AA): É uma questão a que gosto muito de responder, porque o Jóias sobre Rodas tem a ver com os carros. E nesta nova temporada vamos ter muito mais carros europeus, e acho que isso é algo que os portugueses vão gostar.

(MB): Isto é um programa com que o público se pode identificar, duas pessoas apaixonadas por carros na sua garagem a quererem salvar um carro. E isso é sempre a melhor parte. Fazemos isso com paixão, é o modo de agir do Jóias Sobre Rodas. Tentamos sempre fazer com que o carro seja a estrela do programa, e acho que os fãs portugueses sabem e compreendem bem isso. E esperamos que eles vejam esta nova temporada.

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