Peugeot 308 SW GT 2.0 BLUEHDI 180 Auto – Para pais aceleras

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo

Já guiámos motores Diesel potentes, mas poucos foram aqueles que nos deram tanto gozo conduzir quanto este da Peugeot. Com 180 CV, esta versão Diesel, GT e carrinha, faz inveja a muitos modelos desportivos

À VONTADE DO FREGUÊS

Como revelamos aquando da apresentação na edição passada, o 308 GT, para além de se apresentar com duas carroçarias diferentes, conta com dois motores, um gasolina de 205 CV e este turbodiesel de 180 CV que escolhemos para ensaiar primeiro, na forma de carrinha. Poucos são os concorrentes que atingem um patamar de desenvolvimento tão elevado, sendo necessário consultar o portfólio das marcas premium para encontrar adversários com caraterísticas semelhantes e tão bem dotados.

Não sendo a fórmula perfeita para os clientes mais jovens que apreciam carros desportivos com outras caraterísticas, esta versão não deixa de ser a escolha ideal para aqueles pais que gostam de acelerar depois de deixarem os filhos na escola. Argumentos não faltam, desde logo um look desportivo que resulta exteriormente de uma altura ao solo 7 milímetros mais baixa à frente e 10 milímetros mais baixa atrás, enquanto as jantes específicas de 18” e os pneus Michelin Pilot Sport 3 suficientemente largos para nos manterem colados à estrada contribuem para o aspeto compacto e robusto da carroçaria, que tem ainda como equipamento de série o teto panorâmico, uma opção cada vez mais usa da não só pela Peugeot.

Quando abandonamos a aparência exterior e entramos no habitáculo verificamos com satisfação que o estilo segue a mesma filosofia, com destaque para os bancos em pele, que nos envolvem e convidam para uma condução mais atrevida; o volante de pequenas dimensões forrado em pele perfurada, a pedaleira em alumínio a lembrar os verdadeiros desportivos ou a instrumentação que se torna vermelha quando escolhemos o modo Sport numa mutação espantosa. Nesse momento, para além da mudança de cor da instrumentação, ocorrem outras transformações, desde logo um roncar do motor artificial que invade todo o habitáculo e uma atitude bastante mais proativa da nova caixa automática de 6 velocidades. Esta gera grande cumplicidade com o motor Diesel, que faz inveja a muitos motores a gasolina ditos desportivos.

Todos conhecemos a paixão da marca francesa por carros desportivos. Exemplos não faltam, como é o caso do recente 208 GTi ou do RCZ R, para referir apenas os mais recentes. A Peugeot decidiu entretanto estender essa tradição aos motores Diesel, dotando as novas versões GT do 308 com o motor 2.0 BlueHdi sem que essa opção comprometa as aspirações desportivas de um modelo que terá com certeza novos desenvolvimentos.

A combinação torna-se ainda mais perfeita quando elege para transmissão a nova caixa automática construída pela Ainsi. Melhor parece impossível, porquanto sabemos que do ponto de vista técnico as caixas automáticas conseguem explorar melhor as caraterísticas de potência e binário dos motores Diesel, com a vantagem adicional disso não penalizar os consumos, pelo contrário, ao otimizar todo o ciclo termodinâmico garante consumos mais baixos. Esta terá sido uma das razões porque a marca francesa terá escolhido apenas a caixa automática para esta versão que dá tanto prazer guiar, inclusive com esta carroçaria mais familiar.

Entre as muitas propostas do género quase que nos atrevemos a dizer que esta é uma das melhores caixas de velocidades automáticas (muitas delas com muito mais relações de caixa) pelo prazer que garante quer quando andamos calmamente, quer quando nos atrevemos a acelerar, aproveitando as informações adicionais fornecidas pelo modo de condução “Drive Sport Pack”.

Quando escolhemos esta maneira mais desportiva do 308 GT se exprimir podemos ter acesso a um conjunto de informações adicionais, como é o caso da potência e do binário fornecido a cada instante, a pressão de sobrealimentação e as acelerações longitudinal e transversais indicadas num gráfico cartesiano que aparece ao meio do painel de instrumentos num desafio permanente não só aos nossos limites como aos limites do carro.

Poucos são os carros com estas caraterísticas que nos dão a sensação de sermos os melhores condutores do mundo, mesmo quando desligamos totalmente o controlo de estabilida de. Para acompanhar toda a irreverência desta nova vaga de versões mais desportivas a Peugeot alterou e adaptou outros parâmetros, como é o caso da direção, que vai perdendo assistência com a velocidade, o acelerador que se torna mais reativo e a suspensão que se adapta instantaneamente ao tipo de condução escolhido, agarrando-se mais à estrada quando a aceleração cresce.

A experiência da Peugeot nesta matéria é tão grande que a maior virtude da suspensão do 308 GT é ser firme como convém, sem ser desconfortável, um exercício que nem todas as marcas conseguem atingir com a mesma eficácia. É graças a este equilíbrio que tão bem sabe quando conduzimos o Peugeot 308 GT que nos permite desligar sem grande perigo a maior ajuda ativa que é o controlo de estabilidade, mais conhecido por ESP.

Convém, no entanto, lembrar que o ESP só pode ser totalmente inativado quando selecionamos o modo Sport, carregando no botão colocado atrás do seletor da caixa de velocidades. Apesar de ser automática e de preferirmos andar sempre nesse registo, é possível manusear manualmente a caixa, quer seja no seletor, quer no volante utilizando para isso as duas patilhas.

As prestações não diferem muito entre os dois tipos de utilização, conforme as medições feitas. Assim, a aceleração dos zero aos 100 km/h conseguiu ser dois décimos de segundo mais rápida que o melhor resultado da Peugeot, enquanto as recuperações nos fazem lembrar alguns motores mais dotados em termos de potência.

Mas o que mais nos impressionou foi a possibilidade de andarmos muito depressa sem penalizar grandemente os consumos, como comprova a média de 6,8 l/100 km num carro que faz 8,5 segundos (nas nossas mãos) dos 0 aos 100 Km/h e passa a barreira dos 200 Km/h num ápice. No fim só é pena que esta proposta custe 41 mil euros, ainda que quase todo o equipamento seja de série.