Kia Rio 1.2 MPI EX

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo
Data: 23 de Abril, 2017

A quarta geração do Kia Rio tem tudo para aspirar a um lugar no pódio do segmento mais representativo do mercado nacional. Na sua estreia escolhemos para ensaiar a versão a gasolina 1.2 MPI de 84 CV.

A marca coreana volta a surpreender com a nova geração do Kia Rio, um modelo que representa 35 por cento das vendas da marca em Portugal onde elege como principais concorrentes o Renault Clio, o Peugeot 208 e o VW Polo. Não tanto por um lugar no pódio, pois não é esse o objetivo da marca, mas pelo reconhecimento de um conjunto de caraterísticas que o colocam na mesma fasquia naquilo que são os valores essenciais de um segmento de mercado cada vez mais exigente. Quando olhamos para o Kia Rio verificamos que o aumento das dimensões exteriores o coloca na fronteira do segmento dos familiares compactos, uma tendência que tende a generalizar-se, mas que a Kia aproveita muito bem em termos de habitabilidade e capacidade da mala como veremos numa comparação com os seus mais diretos adversários.

Aproveitando a apresentação nacional e internacional efetuada em Portugal, escolhemos para este primeiro grande ensaio, a versão equipada com o motor 1.2 MPi de 84 CV, uma das três motorizações disponíveis numa primeira fase, a par do novo motor 1.0 t-GDi de 100 CV estreado no Kia Cee’d (mais tarde haverá uma versão de 120 CV) e do conhecido motor 1.4 CRDi de 77 CV e 90 CV.

Mais uma vez a relação preço/equipamento é um dos pontos fortes do novo modelo coreano.

32/50

Ao contrário da geração anterior, o novo Kia Rio só existe com a carroçaria de 5 portas. Esta é 15 milímetros mais comprida, tem mais 10 milímetros entre eixos e é 5 milímetros mais baixa que o seu antecessor. Não é por isso de estranhar que a habitabilidade tenha crescido, juntamente com a mala que ganha 37 litros (325 litros) a que corresponde um crescimento de 13 por cento. Este novo valor da capacidade da mala coloca o Rio à frente dos seus rivais. O que mais se aproxima é o Renault Clio com 300 litros, enquanto o Peugeot 208 e o VW Polo oferecem um valor bastante mais pequeno. Para além de ter a maior mala, esta tem uma forma muito regular e uma boa funcionalidade que resulta da possibilidade de alterarmos a sua altura de forma a poder arrumar objetos sob o piso e impedi-los de se moverem ou ocultá-los. A possibilidade de rebatermos o banco traseiro permite aumentar a capacidade da mala até quase aos 1000 litros! 

Para além de espaçoso, o Kia Rio goza de uma boa visibilidade graças à forma e ao tamanho do pilar C e da traseira agora mais direita, com o vidro posicionado quase na vertical. Na frente, o capot mais longo e o arredondamento da forma alterou a aerodinâmica, ainda que a marca para esta matéria não anuncie valores. Já o mesmo não se passa com a qualidade, onde o aumento da percentagem de aço de alta resistência, superior a 50 por cento, não só reduz o peso total como reforça significativamente a rigidez estrutural, com vantagens para a segurança e para o comportamento dinâmico, conforme ficou bem demonstrado ao longo do ensaio, em especial na prova de ultrapassagem.

Do ponto de vista da segurança passiva é objetivo da marca atingir as 5 estrelas nos testes da EuroNCAP, ainda que para esse resultado contribuam outros equipamentos como os 6 airbags e a travagem de emergência autónoma com reconhecimento de peões, um sistema que mostrou uma boa coordenação
com o sistema de aviso de saída de faixa se esta não for previamente sinalizada.

50/70

Com um índice de habitabilidade que se situa bem acima da média, o espaço para as pernas atrás foi aquele que mais beneficiou com o aumento das dimensões exteriores, com a parte da frente a registar um incremento para 1100 milímetros e 850 milímetros atrás. O novo Kia é também, de todos os seus adversários, o que oferece mais espaço para os ombros (1400 milímetros à frente e 1410 milímetros atrás), enquanto a altura interior está entre as melhores, apesar de exteriormente o novo Rio ser mais baixo. Em resumo, espaço não falta e funcionalidades também não. Na base da consola central existe um pequeno tabuleiro duplo que serve, por exemplo, para arrumar o telemóvel e objetos de pequenas dimensões, ao mesmo tempo que existem suportes para garrafas em todas as portas, bem como suportes para copos ou até um local específico para guardar os óculos junto do retrovisor
interior. 

Os materiais, não sendo os melhores, têm boa qualidade real e a Kia optou por um desenho muito simples, com a maior parte dos comandos concentrados no ecrã tátil do sistema HMI e no volante. Os únicos comandos fora desse “layout” são os da climatização, fáceis de manusear. Esta não é “dual zone” mas tem um funcionamento bastante silencioso, o que valoriza o conforto acústico. Este goza de outros contributos, como um bom isolamento do ruído do motor e de rolamento, fruto das alterações introduzidas na suspensão. 

Com uma boa acessibilidade, o espaço interior goza ainda de uma grande luminosidade resultante da redução do tamanho dos pilares, especialmente atrás, onde a visibilidade melhorou bastante. Mesmo assim, a Kia não deixa de oferecer sensores de estacionamento e uma câmara de marcha atrás, naquela que é uma das melhores relações preço/equipamento, da qual faz parte um novo sistema infotainment mais completo e muito mais intuitivo. Este inclui o Kia Connected Services disponível gratuitamente durante 7 anos.

30/50

A potência e a elasticidade não são o melhor cartão-de-visita deste motor 1.2 atmosférico, que não vai além dos 84 CV. Mesmo assim, tem uma boa resposta graças a uma caixa de 5 velocidades cuidadosamente escalonada, precisa e rápida no engrenamento. Três qualidades que contornam inteligentemente a suposta apatia do motor. A prova disso é a aceleração dos 0-100 Km/h feita em 10,8 segundos, ou seja, menos 2,1 segundos do que a marca anuncia. Isto porque se a quarta faz 27,3 km/h às 1000 rpm, a quinta mais longa  faz 34,4 km/h. Considerando que a velocidade máxima é obtida ao regime de potência máxima, teoricamente o Kia Rio com este motor atingiria os 206 Km/h, o que não acontece na realidade. O facto de a quinta ser mais longa prende-se com a necessidade de controlar os consumos e as emissões de CO2. 

Este é o motor que a marca mais aposta para o mercado português onde também vai estar presente a nova motorização 1.0 T-GDi de 100 CV, este sim uma novidade, embora a sua estreia tivesse sido feita no Kia Cee'd de 3 portas.  

O aumento significativo da rigidez da carroçaria permitiu desenvolver uma suspensão mais confortável, com a revisão da relação mola/amortecedor, permitindo ao mesmo tempo uma condução envolvente e equilibrada. Embora estruturalmente as suspensões sejam as mesmas, a parte da frente usufrui de conjuntos mola/amortecedor e braços transversais mais rígidos, o que beneficia a direção, que assim consegue ser mais direta e ter respostas mais rápidas. Atrás, o reposicionamento dos amortecedores na vertical melhora entretanto a capacidade de absorção do eixo traseiro, aumentando simultaneamente o conforto e a estabilidade em curva.
O sistema de travagem beneficia do facto da unidade ensaiada vir equipada com discos atrás, o que não é o caso das unidades que vão ser comercializadas em Portugal!

32/50

Os discos atrás garantiram não só espaços de travagem mais curtos como uma razoável resistência à fadiga. Acreditamos no entanto que os tambores atrás dilatem um pouco as distâncias.

Em compensação isso não afeta um comportamento dinâmico que consideramos ter evoluído graças às alterações estruturais do chassis e da carroçaria como das suspensões, com a vantagem destas serem agora mais confortáveis. A prova dessa evolução foi o bom desempenho na prova de ultrapassagem, que cumpriu a 80 Km/h onde as ajudas ativas mais relevantes intervieram com alguma parcimónia. Destaque para a intervenção nessas circunstâncias do controlo de travagem em curva que aplica uma força de travagem assimétrica durante as mudanças repentinas de direção, contrariando uma eventual perda de tração. Este é um sistema novo que melhora consideravelmente a segurança ao curvar.

Com uma posição de condução correta e fácil de obter graças às múltiplas regulações do banco e do volante, a condução do Kia Rio é agradável. Só não é tão estimulante porque o motor não é assim um poço de energia tão grande. Mesmo assim as prestações excederam as expetativas. Isso deve-se, sobretudo,
ao escalonamento mais curto da caixa de velocidades até à quarta velocidade, como à precisão e à rapidez de engrenamento. A relação mais longa da quinta serve para baixar o consumo homologado, que se situa nos 4,8 l/100 Km.

42/60
O preço do novo Kia Rio com esta motorização começa nos 15 600 euros e acaba nos 17 800 euros no caso da versão ensaiada, a mais equipada. Dela faz parte uma lista grande de opções. No entanto, e como tem sido hábito nos lançamentos mais recentes da marca, nomeadamente no Sportage e no Optima, é natural que surja uma campanha que reduza ainda mais os preços agora anunciados. O desconto pode ser ainda  maior caso o cliente opte pelo financiamento com o habitual parceiro (Santander) da Kia em Portugal. A ser assim, o novo Kia Rio terá um argumento ainda mais forte, a juntar a outros como a garantia de 7 anos ou 15 mil quilómetros. Também os custos de utilização e de manutenção têm sido bastante valorizados nos últimos anos, a par do valor de retoma.

Artigo publicado na Revista Turbo 426, de março de 2017