BMW M 235I 3.0 Cabrio VS BMW X6 M 4.4

Texto: Ricardo Machado / Fotografia: José Bispo

Basta uma letra para transformar um SUV num desportivo com 575 CV. Há muita engenharia envolvida no processo, mas tudo se resumo no M. A mesma letra que apimenta o M 235i Cabrio.

Absolutamente banal e inofensiva, a décima segunda letra do alfabeto, 13ª se contarmos com o K, não tem grande história. Exceto, se utilizada na denominação de um BMW. À frente do número, atrás do número, tanto faz. Desde que não seja entre o B e o W é garantia de emoções fortes. Um sentimento, muitas vezes, proporcional ao tamanho do modelo em questão.

Se o ronco dos seis cilindros em linha do bloco de três litros provoca pele de galinha ao melómano de motores que o escuta no anfiteatro natural do M 235i Cabrio, imagine-se o efeito do rugido desenfreado do V8 a ecoar pelo estúdio do X6 M. No mínimo uma ligeira taquicardia. O mesmo pico de pulsação vivido no momento de autorizar a transferência de 167 600€ para a BMW – na verdade o construtor de Munique só fica com 106 875€, o resto vai para os cofres do estado. Subitamente, os 66 569€ do descapotável parecem um preço perfeitamente acessível.

São assim os desportivos como o X6 M ou o M 235i Cabrio. Objetos de paixão, livres dos constrangimentos da racionalidade.

Comecemos pelo conceito SUV coupé. Em pouco mais de cinco anos passou de absurdo a exemplo a seguir pela generalidade dos construtores. E, sendo filho legítimo da divisão M, é um SUV fácil de traduzir para números: 4,2 são os segundos gastos no arranque até aos 100 km/h, 250 km/h o limite eletrónico da velocidade, 575 CV a potência e 750 Nm o binário.

Mais consensual, o descapotável junta o charme intemporal da capota em material têxtil a uma solução clássica da BMW, o motor de seis cilindros em linha. Há opções diesel ou mesmo com metade dos cilindros, mas só o 235i merece a assinatura M. Autêntica certificação para os cinco segundos do sprint, os 250 km/h da velocidade máxima, os 326CV e os 450 Nm de binário. O M é, definitivamente, uma letra que se escreve com números.

CAMIÃO, QUAL CAMIÃO?

Basta uma ultrapassagem para se perceber a importância destes valores. Enquanto a maioria dos condutores desespera a quando encontra um camião numa estrada de serra, o condutor de um M diverte-se. Precisa apenas de 74 metros de traço descontínuo para lançar o X6 M dos 40 aos 100 km/h. Medida em tempo, a manobra demora 4,1 segundos. Impressionante para um SUV com 2340 kg. Um peso considerável até o dividirmos pelos 575 CV e concluirmos que cada cavalo tem de puxar apenas 4,1 kg.

Resultado folgado quando comparado com os 5,2 kg/CV do M 235i. O descapotável acrescenta 150 kg ao peso do coupé, mas o que o prejudica mesmo é ter “apenas” 326 CV. No entanto, só perde no arranque até aos 100 km/h, precisando de 5,5 segundos para cumprir um exercício executado pelo SUV em 4,9 segundos. Os papéis invertem-se nas recuperações de velocidade, onde a disponibilidade tardia (2200 rpm) dos poderosos 750 Nm de binário do V8 se deixa antecipar pelos 450 Nm do seis em linha, plenos de vigor logo às 1300 rpm. Resumindo a teoria: o mesmo camião, na mesma estrada de serra é ultrapassado pelo M 235i Cabrio em 3,6 segundos no espaço de 65 metros.

JANTE 21’’

Controlar tanta energia a direito é fácil. Os problemas chegam com as curvas. Principalmente para o X6 M. No entanto, negociar mudanças de direção já não representa a dor de cabeça da primeira geração. Molas mais firmes nos dois eixos, corte de 10 mm na altura ao solo e reforço dos triângulos superiores da suspensão dianteira – para aumentar a resistência às forças geradas pelas transferências de massas –permitem ao novo X6 M curvar a uma velocidade impensável para a geração anterior.

Tão rápida a apontar para a curva como a comunicar o nível de aderência dos fantásticos pneus Michelin Pilot Super Sport – especialmente desenvolvidos para as jantes opcionais de 21’’ com medida 285/35 à frente e 325/30 atrás – a direção está mais próxima de um desportivo do que de um SUV. Reprogramado para favorecer o eixo traseiro, o sistema de tração integral xDrive permite curvar mais com o acelerador do que com o volante. Não chega à graciosidade do Porsche Cayenne, mas anda lá perto, com uma traseira muito composta, para a qual contribuem os novos elementos elastocinéticos do esquema multibraço e os amortecedores pneumáticos autonivelantes.

NÃO RESPIRA!

No entanto, o X6 M continua a movimentar mais de duas toneladas e a obrigar a uma dose reforçada de respeito pelas curvas. Com seis êmbolos, as maxilas dos travões duplicam a superfície de contacto das pastilhas com os discos resistindo com facilidade à utilização intensiva, típica de uma estrada de serra.

Primeiro antecipa-se corretamente a travagem, para negociar a curva com o acelerador. Depois, o ataque ao pedal esquerdo vai sendo atrasado na razão inversa ao aumento da confiança, resultando em travagens suficientemente fortes para acordar o sistema de pré-colisão dos cintos de segurança. Uma situação ilustrativa da importância de adotar uma boa posição de condução, sob o risco de acabar a desenhar curvas com a ponta dos dedos. Só o entusiasmo da condução permite suportar a pressão do cinto até ao final do troço preferido.

Muito mais equilibrado, o M 235i Cabrio não se assusta com as travagens. Na verdade, apesar de deixar a falta do tejadilho refletir-se num aumento das vibrações na direção, é muito mais permissivo. Pode entrar na curva a travar sem que isso arruíne a trajetória, as correções a meio não são catastróficas e a prevalência do acelerador sobre o volante é regra e não exceção. Com a totalidade do binário disponível às 1300 rpm e uma caixa automática de oito velocidades quase tão rápida como a do X6 – a afinação do SUV é, provavelmente, a mais rápida da popular transmissão ZF – é fácil manter a traseira na dança. Basta desligar a eletrónica e descobrir o ponto de “desequilíbrio” entre o acelerador e a direção.

M DE FAMÍLIA

Outra das caraterísticas da letra M quando associada a um BMW é o egoísmo. A vertigem da velocidade é tão forte que o condutor de um M 235i Cabrio ou de um X6 M facilmente se esquece que tem companhia. Em ambos os casos há mais carro para além do posto de condução e estes podem ser ocupados por crianças ou adultos que não partilhem do mesmo gosto pela velocidade. Acontece… Nestes casos, o melhor é abrandar o ritmo, trocar o modo Sport+ pelo Confort e desfrutar da suavidade das passagens da caixa Steptronic, com conversor de binário mas uma delicadeza ao nível da dupla embraiagem.

Igualmente delicada é a coreografia do movimento de abertura e fecho da capota do M 235i Cabrio. Demora 20 segundos, podendo ser efetuado em andamento até aos 50 km/h. Por ser em material têxtil, a capota rouba apenas 55 litros aos 335 litros da bagageira. Com mais 30 litros de capacidade, a bagageira beneficiou do crescimento do Série 2 Cabrio em todas as direções. O habitáculo também dilatou, especialmente em largura, mas continua a ser indicado para dois adultos e duas crianças.

Apesar da mistura de conceitos não permitir apresentar um habitáculo tão amplo com o do X5, com o qual partilha a mecânica, o X6 recebe melhor os ocupantes da fila traseira do que a geração anterior. Contudo, apesar de se contarem três cintos de segurança neste banco, o central deve ser ignorado. Quinhentos e cinquenta litros de bagageira fazem do X6 o carro ideal para grandes deslocações em família. Consciente dessa realidade a BMW equipou o modelo das imagens com 27 563€ de opcionais, de entre os quais se destacam o ar condicionado automático com quatro zonas de controlo (398€), ecrãs multimédia para os bancos traseiros (2146€) e jantes de liga leve de 21’’ (1975€). Estas podem não contribuir para o conforto de rolamento, pelo contrário, mas permitem montar os pneus Michelin Pilot Super Sport. Estes, são garantia de segurança e… de consumos elevados.

É o atrito entre a borracha e a estrada que segura os carros nas curvas. E quando se trata de desportivos quer-se muito, muito atrito. Precisamente o contrário dos pneus ecológicos. Juntem-se à equação motores potentes com afinações desportivas e não se conseguem médias de consumo inferiores aos 16 l/100 km. Um número a ter em conta nas grandes viagens porque limita a autonomia a pouco mais de 500 km. Muito menos se se ceder à tentação das estradas secundárias e do modo Sport+.

Apesar de gastar substancialmente menos, o M 235i Cabrio não vai muito mais longe. Como tem o depósito mais pequeno, os 10,1 l/100 km de média ponderada representam os mesmos 500 km de autonomia. A vantagem está na tentação. A condução e os modos mais desportivos do motor e da caixa não secam o depósito com a mesma velocidade do X6 M.

Ensaio publicado na Revista Turbo 405, de junho de 2015

 

Esta metodologia não foi aplicada a este ensaio. Todo o texto encontra-se no capítulo inicial.

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