Terra de cada um de nós – Interior Alentejano

Texto: Júlio Santos

Depois do Litoral – Sines, Milfontes, Zambujeira – queremos que conheça “outro” Alentejo. A terra abandonada , os povoados onde já só restam os que acham que já não vale a pena partir e um património histórico que, não importa a que preço, há que preservar . Porque são as nossas raízes. Porque somos nós; há no Alentejo um pouco de qual quer um de nós.

Eis o exemplo de como uma designação pode ser tão redutora. Se o convidarmos para um fim-de-semana no Alentejo dificilmente conseguirá imaginar aquilo que lhe propomos. Afinal, estamos a falar-lhe da maior região de Portugal que, por isso mesmo, alberga uma diversidade de paisagens que a toponímia não é capaz de identificar. Entre Marvão e Sines, Castelo de Vide e Beja, que mais haverá em comum do que a implantação geográfica “além Tejo”?

Mas, sim, é possível encontrar um ”traço”. A tranquilidade inspiradora da paisagem que combina com um legado histórico e cultural que poucos outros locais oferecem e com uma riqueza gastronómica que reflete, precisamente essa presença ancestral de povos e culturas. É em boa parte por tudo isto que o “além Tejo” está na moda há tantos anos e que, cada vez mais, o Alentejo é mencionado internacionalmente como destino a não perder.

E lá estamos nós presos na armadilha; o “além Tejo” é de tal forma vasto que a palavra “destino” não tem alcance suficiente. Se decidir dedicar cada um dos fins-de-semana de um ano a uma região diferente ser-lhe-á, ainda assim, difícil repetir uma estrada ou uma paisagem. E mesmo que, por um acaso, isso venha a acontecer, ainda mais difícil vai ser não experimentar uma sensação diferente da primeira vez. Porque o Alentejo – mesmo nestes tempos de debandada – é ainda fonte inspiradora de poetas e estados de alma.

 

“Tudo é tranquilo e casto e sonhador…

Olhando esta paisagem que é uma tela

De Deus, eu penso então: onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo

Que possa imaginar coisa mais bela,

Mais delicada e linda neste mundo?!”

Florbela Espanca, nascida em Vila Viçosa em 1894

 

Tapetes e cromeleques

Saindo de Évora pela N370 tome a EN 114 na direção de Montemor e cerca de dez quilómetros depois vire à esquerda na direção de Nossa Senhora de Guadalupe. Esteja atento às placas com a indicação dos Cromeleque de Almendres. A estrada é em terra mas, com cuidado, acessível a qualquer automóvel desde que não seja muito baixo. O conjunto datado do VI milénio antes de Cristo é composto por 95 monólitos de pedra e é o monumento megalítico do género mais importante existente na Península Ibérica e, mesmo, um dos mais relevantes da Europa, dado o estado de conservação.

De volta à N114, vire à esquerda rumo a Montemor e passados cerca de oito quilómetros encontrará a EN 370 que o leva até Arraiolos. O cartão de visita é bem conhecido mas há muito mais. A tradição dos tapetes, que remonta ao século XVII e que esteve prestes a desaparecer no século XIX, está hoje confinada a uma pequena indústria, fonte de subsistência de algumas famílias. Ainda em Arraiolos não deixe de visitar o Castelo, também conhecido como o Palácio dos Alcaides. Mandado construir em 1306 pelo Rei D. Dinis tem a particularidade de ser um dos raros castelos de implantação circular em todo o Mundo. Para além da vista a partir do topo da colina e da erva que cresce de forma descontrolada, a zona entre muralhas, outrora coração da vila, nada mais nos oferece. O que é pena. De Arraiolos, siga pela N4 em direção a Estremoz onde chegará meia hora depois. Visite o Castelo (onde funciona a Pousada), percorra a pé o centro histórico, a praça central e a Igreja da Misericórdia e, de regresso à estrada, procure uma das muitas pedreiras de extração de mármore, um dos principais ex-libris de Estremoz.

Na N4 são menos de 20 quilómetros até Vila Viçosa, sede da Casa de Bragança desde 1502 e berço da restauração da soberania portuguesa, já que foi aqui que, a 1 de Dezembro de 1640, João II, então Duque de Bragança, foi aclamado rei de Portugal, dando início à Dinastia de Bragança. Vale a pena recordar que, volvidos seis anos, o agora D. João IV ofereceu a coroa de Portugal a Nossa Senhora da Conceição como agradecimento pela boa campanha da Guerra da Restauração, gesto que está na origem do facto de Nossa Senhora de Portugal ser considerada Rainha e Padroeira de Portugal, pelo que a partir desta data mais nenhum rei de Portugal viria a usar a coroa. Ao longo dos tempos o Paço de Ducal viria a perder, progressivamente, relevância até tornar-se numa espécie de casa de férias das várias famílias reais e da própria Casa de Bragança. Porém, foi sempre sendo objeto de melhorias e foi mesmo ali que o rei D. Carlos dormiu de 1 de Fevereiro de 1908, antes de ser assassinado.

Propriedade da Casa de Bragança e não do Estado, o Palácio conta com uma importante coleção de obras de arte e as suas salas estão em excelente estado de conservação. Além da Biblioteca, vale, também, a pena visitar as cocheiras onde está o landau que transportava a família real no dia do regicídio. Após passagem pelo Alandroal (nem que seja para almoçar no restaurante D. Maria, um dos melhores da região, que o mesmo é dizer de Portugal) a viagem de regresso a Évora (50 kms pela N254) demora pouco mais de uma hora. É a melhor altura para uma visita à cidade Património da Humanidade que nos oferece um sem número de motivos para nos perdermos nas praças e ruelas, monumentos ou esplanadas. Talvez o mais adequado seja, mesmo, reconhecer que, depois de um dia passado no campo, o melhor é consagrar todo o Domingo àquela que é a única cidade portuguesa que faz parte da rede das cidades europeias mais antigas.

O seu centro histórico, muito bem preservado, alberga vestígios das diferentes culturas que dominaram Évora ao longo de mais de dois milénios, com destaque para o Templo de Diana, testemunho inequívoco da prolongada e importante presença dos romanos na região. Construído no Séc. I (depois de Cristo) em homenagem ao Imperador Augusto, o templo está rodeado pela Sé de Évora, pelo Tribunal da Inquisição e pela Igreja do Convento dos Loios. Está, portanto, no coração do denominado centro Histórico, donde podemos partir para demoradas incursões a pé que nos conduzem até à lindíssima praça do Giraldo cujas esplanadas são o principal ponto de encontro da população estudantil que nos dias de hoje tem uma enorme importância para a cidade. No centro da Praça está o chafariz com oito carrancas que simbolizam as oito ruas que aí desembocam. Ponto de chegada ou de partida para a visita a um sem número de outros locais, como a Capela dos Ossos, situada na Igreja de São Francisco. As paredes e os pilares estão “decorados” com ossos e caveiras para lembrar a quem visita este local a transitoriedade da vida, objetivo bem expresso, aliás, na lápide logo à entrada “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”

 

 

Aspirações legítimas

A Volvo acredita que o XC60 pode voltar ao topo da lista dos SUV mais vendidos e tem razões para isso. Pela imagem que conquistou e, sobretudo, porque conta agora com argumentos ainda mais convincentes, com destaque para o novo motor mais potente (181 CV) e para a transmissão automática de oito velocidades. Esta viagem ao “coração” do Alentejo permitiu-nos conhecer o novo Volvo XC60 enquadrado com aquela que é, sem dúvida, a sua utilização vocacional: um passeio em família, privilegiando, por isso, o conforto e o espaço, a segurança e o desempenho dentro e fora de estrada, condição, neste caso, para visitarmos alguns dos locais históricos mais emblemáticos.

Se em matéria de conforto, espaço e segurança o XC tem provas dadas, já o novo motor e transmissão lhe acrescentam pontos importantes. Silencioso e com um funcionamento mais suave, o novo propulsor turbodiesel de quatro cilindros alcança uma potência máxima de 181 CV e tem sempre muita forma disponível. Ainda mais convincente é, porém, o desempenho da nova caixa de velocidades automática com oito relações que consegue explorar em pleno as capacidades do motor, sendo, por isso, responsável pelo extremo conforto de marcha (dada a suavidade das passagens) e pelos consumos que, não sendo referências, situaram-se pouco acima dos 7 litros aos 100 km, numa utilização despreocupada de estrada, cidade e fora de estrada. O novo conjunto motor/caixa de velocidades enquadra-se bem no espírito do Volvo XC 60 e recoloca-o entre as opções incontornáveis entre os melhores SUV.

 

Originalidade e qualidade

A cinco minutos do centro de Évora, em pleno campo, o Ecorkhotel é a base ideal para explorar esta região. Desde logo pela qualidade da infraestrutura e profissionalismo mas, ainda mais, porque nos oferece uma atmosfera única em que a arquitetura minimalista é inversamente proporcional ao requinte dos diferentes espaços. Despojadas de luxos que estariam aqui totalmente desenquadrados, as suites são confortáveis, tal como os espaços comuns, onde se destaca a piscina exterior num aprazível terraço no topo do edifício, a confortável sala de jantar ou o spa, que conta com uma piscina aquecida, ideal para estes dias em que o Alentejo nos pode reservar surpresas pouco agradáveis. Além da originalidade e qualidade de todos os espaços destaque, ainda, para a qualidade dos pratos regionais servidos na elegante sala de jantar.

 

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