TEMPO DE BARCELONA

Texto: Júlio Santos

Há um tempo certo até mesmo para conhecermos um local onde sabemos que nos vamos encantar. E este é o momento para visitar Barcelona, que ganha agora tonalidades que a tornam ainda mais vibrante.

 

Com o patrocínio

Barcelona está na moda porque é, provavelmente, a mais diversificada das cidades europeias. Pense naquilo que mais valoriza para uma viagem de lazer… Barcelona tem. Praias magníficas, montanha, monumentos, parques de uma tranquilidade arrebatadora e vida noturna sem igual. Cultura, gastronomia, compras, história. Barcelona nunca se esgota.

Redescobre-se a cada instante. Revisita-se uma e outra vez. Barcelona sempre esteve lá. Para “aborrecer” o centralismo de Madrid e a antipatia de Franco em relação à Catalunha mas esse estigma de parente afastado só foi definitivamente erradicado em 1992 com a realização dos Jogos Olímpicos. Barcelona assume, então, um lugar próprio no roteiro europeu, apostando nas suas raízes culturais e numa visão muito mais cosmopolita, por contraponto a Madrid. Afinal, foi aqui que nasceram os principais pensadores e artistas espanhóis e é a sua presença que pressentimos por toda a cidade, para onde quer que olhemos.

GAUDI POR TODA A CIDADE

Opte por roupa confortável, saia bem cedo para sentir o outro lado de uma metrópole que aloja quase quatro milhões de almas. Pode começar por aquela que é, precisamente, a principal atração em Barcelona, visitada todos os anos por mais de três milhões de pessoas (de verão a visita ao interior obriga a uma espera de mais de uma hora pelo que lhe recomendamos a compra antecipada de ingressos através da internet.

Aquela que é considerada a obra maior de Antoni Gaudi, o mais conhecido dos arquitetos do Modernismo catalão (1888-1911) vale pela espetacularidade ou, quem sabe, pelo facto de permanecer inacabada, algo que só deverá acontecer em 2026, precisamente 100 anos após a morte de Gaudi. Desde a Basília da Sagrada Família ate à praça da Catalunha é uma bela caminhada de meia hora. Seguindo pelo Carrer de Provença, ao fim de 20 minutos (1,4 quilómetros) vai encontrar outro dos “ex-libris” de Gaudi: a Casa Milà, mais conhecida por La Pedrera, construída entre 1906 e 1912 e declarada pela Unesco património mundial.

Ainda e sempre com a assinatura de Gaudi, seguindo pelo Passeig Garcia durante cinco minutos (500 metros) vai encontrar a Casa Batlo, também conhecida como a Casa dos Ossos, devido à sua forma. Daqui até à Plaza da Catalunya são cerca de 700 metros. Cafés restaurantes, compras e um belo jardim são apenas alguns dos atrativos desta magnífica praça emblemática da cidade de Barcelona, que bem pode ser ponto de paragem para tomar folego para um demorado passeio de final de tarde pelas Ramblas (Rambla dos Estudos, Rambla dos Capuchinhos e Rambla de Santa Mónica).

Mais do que um animadíssimo mercado a céu aberto, para vendedores de bric a brac, plantas, quinquilharia e sabe Deus o que mais, trata-se de um gigantesco palco de 1,5 quilómetros onde desde manhã até altas horas da noite podemos assistir às performances de artistas dos géneros mais variados. Chegados à Plaza Portal da Paz, onde se ergue o monumento de 60 metros a Cristovão Colombo, a opção pode muito bem passar por um inesquecível final de tarde numa das esplanadas do Porto Velho, antes do jantar aí mesmo ou, em alternativa, num dos muitos restaurantes que abundam por toda a cidade e que nos oferecem o melhor da cozinha catalã e internacional.

 

AO REDOR

Um passeio à noite pela zona do Porto Velho, ou pela Barceloneta é uma das sugestões possíveis para a digestão ou, no caso dos mais jovens, uma visita a El Raval, um dos bairros mais típicos da cidade, promete ser inesquecível. Por aqui subsistem, mesmo que com encantos diferentes, cafés, bares e toda uma atmosfera boémia que cativou Dali, Picasso ou Buñuel. Claro que depende da sua resistência mas tenha em conta que o desfrute da cidade só agora começou.

O dia seguinte é, igualmente, recheado de descobertas. Pode, por exemplo, consagrar a manhã ao Parque Guell. Originariamente este extenso parque estava destinado a albergar um conjunto residencial de luxo, onde as vistas sobre a cidade se misturavam em harmonia perfeita com as obras de Gaudi. A ideia revelar-se-ia, porém, demasiado arrojada e nunca vingou, pelo que o espaço acabou por ser doado à edilidade, sendo hoje um dos pontos turísticos mais visitados. Antes de deixar o parque recomendamos-lhe que se sente durante meia hora a contemplar as vistas da cidade até porque, se optar por caminhar de novo até ao centro… é bom que esteja mesmo preparado.

O ponto de partida é, de novo, a Plaza da Catalunya para a descoberta do Bairro Gótico, um dos mais bem preservados centros medievais da Europa. Uma das esplanadas na Plaça del Pi, palco de feiras e concertos de rua, convida a um café. Daqui pode embrenhar-se por uma das pequenas ruelas e tentar descobrir algum tesouro num dos muitos alfarrabistas e antiquários ou, então, visitar a magnífica Catedral de Barcelona. Daqui tome a Calle de Jaume I e chegará a La Ribera, bairro que durante a expansão marítima teve uma importância enorme.

Ali perto, aproveite para visitar o Carrer Montcada, rua medieval e renascentista que conserva em excelente estado os palácios do século XVIII ali erguidos por algumas das mais ilustres famílias europeias. Três destes lindíssimos palacetes alojam hoje o riquíssimo Museu Picasso onde nos é dado apreciar algumas das mais importantes obras do artista.

Se é um apaixonado pela pintura, a visita ao Museu Picasso dificilmente será esquecida. E se lhe sobrar algum tempo então disponha-se a uma viagem de uma hora e meia (140 quilómetros) até Figueres, onde está o museu Dali. Em ambos os casos recomendamos-lhe que reserve previamente os respetivos ingressos. No regresso, pode entrar na cidade pela parte alta e, a partir do miradouro de Tibidabo, apreciar o por do sol que enche Barcelona de uma tonalidade única.

Tão cedo não vai esquecer.

 

Artigo publicado na Revista Turbo nº 404, de Maio de 2015