Revolução! Carro elétrico faz 1000 km em 8h21m com recarga líquida de 10 cent./litro

Texto: António Amorim

O sistema nano flow cell recorre a um líquido de reabastecimento que custa apenas 10 cêntimos por litro e é inofensivo para o meio-ambiente. Veja os vídeos.

O Quantino pode não ganhar prémios de design, mas a sua tecnologia pode revolucionar a locomoção elétrica do futuro.

Este carro elétrico, feito pela empresa suiça de investigação e desenvolvimento nanoFlowcell, acaba de bater um recorde silencioso, ao percorrer a distância de mil quilómetros em apenas oito horas e 21 minutos. Um feito impossível para qualquer outro carro elétrico conhecido.

Num carro elétrico equipado com baterias convencionais, tanto a limitada capacidade de armazenamento como o tempo necessário para uma recarga inviabilizariam este feito. Pelo contrário, o Quantino está equipado com uma inovadora bateria do tipo nano flow-cell, cuja recarga não se faz com eletricidade, mas sim com líquidos, que demoram tanto a reabastecer como a gasolina ou o gasóleo.

O recorde foi batido em normalíssimas autoestradas suíças, obedecendo aos limites de velocidade. “Se o tivéssemos feito numa pista fechada teria sido muito mais fácil”, afirmam os responsáveis pela nanoFlowcell.

O Quantino é um veículo já exibido em salões internacionais, de configuração 2+2 lugares. O seu grande trunfo está na primeira célula do tipo flowcell suficientemente compacta para ser aplicada num automóvel.

COMO FUNCIONA

A nanoFlowcell é um novo sistema de armazenamento de energia com enorme potencial de aplicação móvel. Ao contrário das baterias tradicionais, este sistema é abastecido através de eletrólitos líquidos (bi-ION), um com carga negativa, outro com carga positiva. O carro tem portanto dois depósitos de eletrólito. Este é depois bombeado por circuitos separados para um conversor que é, na realidade, a célula do sistema. Neste conversor os dois líquidos ficam separados apenas por uma membrana permeável, que permite a troca iónica entre as duas soluções líquidas. É esta troca de iões que converte a energia química do bi-ION em eletricidade, utilizada pelo carro na locomoção.

O Quantino utiliza depois um único motor elétrico Bosch, ligado às rodas traseiras, que lhe permite acelerações de 0-100 km/h em apenas 5 segundos.

Num carro com tecnologia nano flowcell a quantidade de energia armazenada depende da concentração do eletrólito e do volume do depósito de eletrólito, o que significa que a energia armazenada não depende do tamanho da célula.

Outra vantagem é que a recarga de um carro destes não enferma dos obstáculos de um carro elétrico com bateria tradicional. O eletrólito i-ION é apenas abastecido como qualquer líquido, como pode ver neste vídeo.

Num automóvel Quant equipado com este sistema, os eletrólitos gastos são depois filtrados para remoção de sais através de um filtro que apenas precisa ser mudado a cada 10 mil quilómetros. A água que sobra é vaporizada e devolvida à atmosfera. A marca garante que nenhum resíduo poluente resulta deste processo. Os depósitos de i-ION ficam, portanto, vazios à medida que o carro vai andando, tal como num carro convencional a gasolina ou gasóleo. E o processo de reabastecimento também é idêntico.

A marca também garante que todos os materiais utilizados no nanoFlowcell e os seus eletrólitos são ambientalmente compatíveis e sustentáveis, tanto na aquisição como na reciclagem.

Consta ainda que uma célula deste tipo suporta dez mil ciclos de recarga, ou seja, dez vezes mais do que uma convencional bateria de iões de lítio. Num carro isto equivale a rodar cerca de 10 milhões de quilómetros! Outra vantagem ainda: a descarga da célula em repouso é negligenciável, ao contrário de uma bateria convencional.

Alguns jornalistas especializados de revista inglesas já conduziram o Quantino. O modelo de testes utiliza dois depósitos de eletrólito com 159 litros cada um e pesa no total 1420 kg para garantir a tal autonomia de mil km. A empresa espera, no entanto, que um eventual modelo de produção tenha dois tanques de 85 litros cada um, pesando o carro 1045 kg, cheio. O sistema elétrico do Quantino tem ainda a particularidade de funcionar a 48 Volts.

A NanoFlowcell também garante que tem vindo a realizar todos estes testes em conjunto com uma marca de automóveis asiática, interessada na produção do modelo. Não há, no entanto, qualquer referência a nomes, suspeitando-se da Honda ou da Toyota.