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McLaren Senna: a mais estupenda homenagem

Texto: Nuno Fatela
Data: 11 de Dezembro, 2017

O mítico piloto brasileiro será sempre um nome grande na história do fabricante britânico, e isso foi novamente comprovado com aquele que a marca de Woking afirma ser o seu desportivo de estrada mais extremo de sempre. Uma fantástica criação que recebe precisamente o nome de “McLaren Senna”.

Foi apresentado o modelo com o mais potente motor de combustão interna do fabricante de Woking, um V8 twinturbo com 800CV e 800Nm, algo que alia à “mais pura ligação entre carro e condutor em qualquer modelo de estrada”. Isso já bastava para criar um carro especial e num patamar superior de performance, mas a marca foi ainda mais longe, ao fazer deste carro um tributo a um dos pilotos mais emblemáticos da sua história, Ayrton Senna. Ainda com um estilo 100% fiel à ideologia “a forma segue a função” da sua filosofia de design, assim nasceu o McLaren Senna, um genial e exclusivo superdesportivo com 800 cv. A produção será limitada a 500 exemplares, com um preço anunciado para território britânico de 852000€ e que começam a ser entregues na segunda metade de 2018.

“Tu empenhaste a um nível tão alto que não há compromisso. Dás tudo o que tens. Tudo, absolutamente tudo”.
Ayrton Senna

É com esta frase que a McLaren dá o mote para uma das mais espetaculares homenagens de sempre do mundo automóvel. Deixando de parte a sua habitual opção por dar designações numéricas (720, 650, 570, 520, F1, P1, etc) aos seus carros, desta vez o novo modelo é lançado com o nome McLaren Senna, um excelente tributo a um piloto que ficará sempre na memória dos fãs do desporto automóvel e que deu cartas ao volante de monolugares da marca britânica, como o MP4/4.

Segundo é explicado, esta opção serve também para demonstrar uma característica que o carro quer ter, e que se inspira num dos objetivos do talentoso brasileiro: ser o melhor de sempre. Para isso esta será a forma mais pura de um McLaren de estrada, que pretende ser um fiel e potente parceiro para as viagens quotidianas mas garantindo igualmente a mais excelsa ligação entre homem e carro, conseguindo assim proporcionar também as mais fortes emoções em circuito.

 

Levar para patamares nunca antes alcançados a capacidade dos modelos de estrada da marca é algo que se vislumbra em cada pormenor e característica do McLaren Senna. Desde a produção de baixo peso com chassis e painéis em fibra de carbono, à precisão na colocação do  motor em posição central, à forma como a potência do mais poderoso motor de combustão da marca é enviado para as rodas traseiras, à resposta e feedback da direção, ao foco na posição do condutor… tudo. Ou não fosse este um McLaren Senna.

A base deste desportivo é o McLaren 720S, com a Monocage III, o que resulta do mais leve modelo de estrada da marca desde o mítico F1 de 1994. São apenas 1198kg,  o que resulta, em conjunto com os 800 cv de potência, numa relação de quase 1,5kg/cv. A produção segue os pergaminhos e ensinamentos obtidos com o superhíbrido P1, significando um carro que está tão adaptado para os percursos do dia-a-dia como num comportamento performante e superior em pista.

“Ode à agressividade”

O design é uma ode à agressividade, com o McLaren Senna a parecer uma verdadeira fera das estradas, uma representação do predador de vitórias em pista que o astro brasileiro era. A agressividade é visível desde o splitter dianteiro até ao difusor traseiro, tanto nas formas como nos inúmeros apêndices aerodinâmicos. As várias lâminas e as entradas de ar funcionais são exemplo da perfeição a rasgar o ar, algo para que contribui a aerodinâmica ativa na frente e na retaguarda. A ideia, explica a McLaren, é ter máxima performance em todos os momentos, seja numa longa reta, nas acelerações ao sair das curvas, nas fortes travagens ou mesmo ao longo das mudanças de direção.

A traseira é igualmente inconfundível, através do duplo difusor nascido de uma única peça em fibra de carbono e através da grande asa de duplo plano com os “gurney flaps”. A marca explicou ainda que o McLaren Senna tem uma asa com atuação hidráulica com uma superfície plana total de 6500cm2, garantindo máximo downforce e balanço aerodinâmico perfeito a cada momento. Mostrando atenção a cada detalhe, o fabricante de Woking refere ainda que o ângulo das saídas de escape em titânio foi pensado para criar o mínimo de turbulência na zona da asa traseira.

Visto das laterais, além da forma em “gota de água” do cockpit encontramos em destaque a zona das portas, com uma dupla secção em vidro (opcionalmente em fibra de carbono). A mais baixa serve para o condutor do McLaren Senna sentir uma ligação ainda maior à estrada. Mas a sua colocação impactou em outras áreas, pois foi necessário passar os comandos  dos vidros para fora das portas. Como as fotos demonstram, eles estão colocados sobre a cabeça do condutor, numa consola em fibra de carbono onde se destaca também o tom vermelho do botão start.

Saltando para o interior do McLaren Senna, verificamos que o objetivo é garantir que cada condutor é capaz de replicar uma das características mais singulares do às do volante brasileiro, a sua inabalável concentração. Assim, a quantidade de controlos é reduzida ao mínimo, sendo praticamente todos os comandos agregados nos ecrãs do painel de instrumentos e infotainment. Neste ambiente dominado pela alcântara e fibra de carbono surge mais um exemplo do foco máximo na redução de peso, com as molas das portas expostas. E, já que este é um carro perfeito para se divertir em circuitos, é indicado que o espaço de carga atrás do condutor tem espaço precisamente para dois capacetes e dois fatos de competição…

O mais potente motor de combustão

Para fazer crescer um sorriso na face de cada condutor surge o mais potente motor de combustão de um modelo da marca de Woking. O McLaren Senna recorre ao propulsor M84OTR, um V8 4.0L twinturbo com 800 cv e 800 Nm, que recebe várias tecnologias oriundas do mundo de competição. É o caso do controlo eletrónico dos turbos ou dos componentes de baixo peso. Ele estará conetado a uma transmissão automática de dupla embraiagem, responsável por enviar a potência para as rodas traseiras e que pode ser controlada através das patilhas alongadas. Merece ainda referência outro traço no fabrico do McLaren Senna, pois ele foi desenvolvido de forma a que “pareça que o V8 está sentado ao lado do condutor”.

A motorização e a transmissão podem ser alteradas em três modos específicos (Comfort, Sport e Track), algo que também acontece com o controlo de chassis RCC II. Isto altera, por exemplo, a rigidez da suspensão de triângulos duplos, que foi desenvolvida a partir do mundo do desporto automóvel e tem aquilo que a marca afirma serem amortecedores interconetados eletronicamente e substitutos hidráulicos para as habituais barras estabilizadoras mecânicas. A terminar, surgem os discos de carbocerâmica e as exclusivas jantes de liga ultraleve com aperto central.

 

Este será o terceiro modelo do plano de produto da marca, com o nome de Track22. A sua primeira aparição ao público está marcada para o Salão de Genebra, em março de 2018, altura em que possivelmente já serão conhecidos mais dados sobre as especificações deste espetacular McLaren Senna.