Referências a Hitler motivam VW a querer adiar julgamentos

Texto: Miguel Policarpo

A Volkswagen procura adiar os julgamentos com origem no ‘Dieselgate’. Em causa estão os comentários tecidos por um advogado de defesa dos clientes, em que o representante fez referências a Hitler e à recente polémica sobre os testes realizados em macacos.

A polémica das emissões Diesel, e consequentes processos judiciais que a Volkswagen enfrenta, ganhou um novo episódio. Nos EUA, a marca vai a tribunal pela primeira vez no dia 26 deste mês mas revelou querer adiar todos os processos. O motivo está nos comentários tecidos por Michael Melkerses, advogado de defesa de mais de 300 clientes, em são feitas referências a Hitler e aos testes de emissões realizados em macacos. A Volkswagen teme que as declarações “inflamatórias” influenciem os jurados.

Referiu Michael Melkerses em entrevista transmitida pelos serviços da Netflix que os testes de emissões em animais fazem recordar a história: “Não se pode deixar de recordar a história de uma série de eventos envolvendo indivíduos gaseados por uma pessoa que esteve na inauguração da primeira fábrica da Volkswagen”. Esta clara alusão a Hitler e ao Holocausto esteve na base da decisão da VW em querer adiar os julgamentos, com os seus advogados a sublinharem preocupação da marca de que os comentários poderão influenciar os jurados, tendo impacto nos vereditos dos casos.

Esta decisão da Volkswagen de procurar adiar os julgamentos já motivou uma resposta de Melkerses. O advogado considera esta ação uma estratégia da marca para adiar o inevitável, isto é, uma decisão favorável para os clientes lesados, disse Melkerses à Reuters.

Recorde-se que a Volkswagen negou qualquer envolvimento nos testes realizados em macacos e condenou esta prática.

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