Uma fantástica surpresa – Escócia

Texto: Júlio Santos

A Europa tornou-se “mais pequena” graças às companhias aéreas “low-cost” que por cerca de 100€ levam-nos num fim-de-semana, ou mesmo para umas férias bem diferentes; inesquecíveis. Se é isso que procura, a nossa recomendação é a Escócia.

Até ao final do ano a Escócia vive numa espécie de festa permanente! É, também por isso, o momento para conhecer este magnífico país que está a celebrar o “The Year of Homecoming”, uma espécie de grande celebração nacional com uma agenda recheada de atividades de diversos tipos, que se prolongam até 31 de Dezembro. Ao todo são mais de duas centenas de iniciativas que “tocam” as artes, com homenagens a escritores, atores, músicos, etc, visitas aos mil e um castelos espalhados pelo país, festivais de folclore e provas desportivas, com destaque para a edição deste ano da Ryders Cup (a mais famosa prova de golf do Mundo) que decorre entre 23 e 28 de setembro, em Gleneagles, menos de uma hora a norte de Edimburgo. Basta escolher (www.visitscotland.com) e eleger o mês para essa visita. Ah, mas ainda mais importante: não a circunscreva ao calendário dos eventos que selecionou; a Escócia tem tanto para lhe oferecer que não é demais prever pelo menos duas semanas.

 

EDIMBURGO – MAGNÍFICA

Porta de entrada: Edimburgo, a capital, é o palco de muitos dos eventos, mas sobretudo, uma cidade com uma atmosfera vibrante que nos surpreende, qualquer que seja a época do ano. Se optar por agosto saiba que nas três últimas semanas acontece o Festival de Edimburgo (um dos maiores do Mundo); um desfile de iniciativas culturais que rivaliza com o… Fringe (www.edfringe.com) que este ano decorre entre 1 e 25 de Agosto, também na magnífica capital escocesa, com inúmeras representações teatrais. Claro que não faltam motivos complementares a uma “agenda” que dificilmente lhe deixará momentos livres, mas é obviamente imperdível a visita ao Castelo de Edimburgo que domina a cidade antiga e ao Palácio Holyrood edificado em 1128 e que é hoje a residência da Rainha Isabel II sempre que, no início do verão, visita a capital escocesa. Cidade monumental Edimburgo é, também, uma cidade tomada pela juventude ao albergar uma das universidades mais antigas e prestigiadas na Europa. É por isso que a noite em Edimburgo tem uma tonalidade e um ritmo especiais, seja nos inúmeros bares a transbordar alegria, nos excelentes restaurantes ou, claro, na vibrante Grassmarket e na avenida central da cidade antiga, ponto de partida, também, para as incursões a recantos onde nos prometem encontros com os espíritos daqueles que durante séculos assombram uma cidade cheia de História e de histórias…

 

RUMO ÀS HIGHLANDS

É difícil dizer por quanto tempo tem “agenda” em Edimburgo; tudo depende das suas preferências: simplesmente, perder-se pelas ruelas e “respirar” a cidade, visitar os inúmeros monumentos, participar nos múltiplos eventos culturais… Porém, como já lhe dissemos, não hesite em deixar pelo menos uma semana para uma visita por alguns dos locais mais emblemáticos deste lindíssimo país. É verdade que a rede de estradas não é comparável com a de países que se endividaram para ter autoestradas em toda a esquina (…) mas que importa isso se, para onde quer que olhemos a paisagem é quase de postal? Ao redor de Edimburgo são várias as pequenas cidades.

Partindo para o litoral encontrará Dundee e, mais acima, Aberdeen, mas a nossa escolha recai sobre Inverness, a cerca de 250 Kms, a capital das chamadas Highlands. Requerendo atenção, uma vez que as estradas são estreitas e há que atravessar inúmeras pequenas povoações, a verdade é que a beleza da paisagem atenua as quase três horas e meia de condução. Apesar da condição de cidade mais importante do norte da Escócia, deve ter em conta que não abundam em Inverness unidades hoteleiras das chamadas cadeias de referência. O melhor é colocar a reserva com antecedência e, principalmente, encarar como muito válida a alternativa de pernoitar num dos muitos Bed & Breakfast que têm o atrativo de preservar a atmosfera local – a lembrar-nos os pequenos almoços dos “Cinco” que na nossa juventude nos deixavam água a crescer na boca e a pensar se aquilo é mesmo assim. É!

Para além das questões que têm a ver com o rigor do Inverno por estas paragens, esta é, mesmo a altura para visitar Inverness, já que, até setembro, decorrem os chamados Highland Games, com um calendário diversificado que nos proporciona o contacto com alguns dos costumes da região. Além do bem preservado castelo local, sobranceiro ao Rio Ness, não faltam ao redor da cidade locais para uma tarde em contacto com a (generosa) natureza. O ponto mais alto é, porém, o cruzeiro no Lago (Lock) Ness, o maior reservatório de água doce do Reino Unido, que nos esconde uma das lendas mais famosas do Mundo que dá pelo nome de Nessie ou, monstro de Lockness. Entre o que se vê e o que se imagina a respeito de um lago de águas calmas (e geladas) e um passeio inesquecível “descobrindo” o Castelo de Urquhart, a certeza de um dia inteirinho de paisagens de lavar a alma…

 

AS ESCARPAS DE SKYE

E é assim, também, a etapa seguinte em que lhe sugerimos uma visita de dois dias à ilha de Skye, acessível através de uma ponte. Desde Inverness são cerca de 160 km por uma estrada que começa por acompanhar o lago para depois circundar o sopé das montanhas, bastando seguir as indicações de Skye. Ainda antes de chegar à ilha vale bem a pena uma paragem no magnífico Castelo de Eilean Dohan, um dos mais famosos de toda a Escócia. Melhor ainda, deixe essa visita para o regresso, ao final da tarde, altura em que o por do sol refletido nas águas empresta, realmente, um cenário inesquecível. Deixe uma hora para a visita e muitos Mb de reserva no cartão da máquina fotográfica. Esta já deverá estar quase cheia, aliás, uma vez que na ilha – a maior das 790 que existem em toda a Escócia – se não abundam os locais para pernoitar ainda mais difícil vai ser eleger o spot favorito. Em Portree, a “capital”, é obrigatório visitar o porto de pesca e, pela manhã, aproveite para fotografar as casas coloridas, a lembrar algumas zonas da Escandinávia, ou não estivesse a Escócia a menos de 400 km da Noruega. Estão explicados muitos dos costumes com que se vai deparar, mas, também, o clima rigoroso no Inverno e a convidar à vida ao ar livre no Verão, quando a noite chega já muito para lá da hora de jantar.

Na ilha, além dos passeios a pé à beira das falésias, com destaque para a imponente cascata de Kilt Rock, a norte, aprecie a vida selvagem composta por golfinhos, focas, lontras e, com sorte, poderá, até, avistar a famosa Aguia Real. No regresso a Fort William, decida-se entre “jogar pelo seguro” optando pela mesma estrada (A87), através da ponte, ou, então rume mais a sul, na direção de Armandale para, de Ferry (informe-se antes dos horários e frequência), alcançar Mallaig e daí seguir, então para Fort William. Este é um bom “ponto” para pernoitar, recaindo, de novo, a nossa recomendação, num dos pitorescos Bed & Breakfast.

Na manhã seguinte tome o pequeno-almoço debruçado sobre o rio mas o que não pode mesmo perder é a visita a Ben Nevis, a estação de esqui mais famosa da região que, se para modalidade não é absolutamente estimulante, as paisagens que oferece compensam em pleno. Por esta altura, além de corsas e do famoso “boi cabeludo” (uma raça bovina que só encontra nesta região das Highlands) é fácil ver passar quase debaixo dos seus pés a famosa perdiz vermelha, celebrizada pelo uísque Famous Grouse, proveniente da mais antiga destilaria de toda a Escócia, a Glenturret, à beira do lado Turret, não muito distante de Perth. No caminho de Fort William até aqui, atravessando as montanhas mais altas do país, preveja algum tempo para disfrutar das paisagens do lindíssimo Lago de Lomond, o que implica um ligeiro mas compensador desvio.

Daqui pode optar por rumar de regresso a Edimburgo ou, se lhe sobra um par de dias, vale a pena dedica-los a Glasgow, a segunda cidade mais importante do país, igualmente dominada pelos monumentos históricos e por um ritmo que não deixa indiferentes os amantes da vida noturna. À volta, os castelos, os lagos e os parques justificam uma visita, sobretudo para aqueles que não tiveram senão a oportunidade de se “dedicar” à cidade, enquanto aqui os monumentos históricos justificam, também, uma visita detalhada. Isto claro, se o motivo principal da sua deslocação não foram os Jogos da Commonwealth que este ano decorrem em Glasgow, precisamente, entre 23 de julho e 3 de Agosto, colocando em competição os melhores atletas dos diferentes países que foram aquela organização. O cartaz é vasto, podendo ser consultado em www.glasgow2014.com. Qualquer que seja a sua escolha, temos a certeza de que acabou de completar uma viagem de que dificilmente se esquecerá.

 

Grande companheiro! – Nissan Qashqai

Nesta viagem de quase mil milhas (1600 kms) pela Escócia tivemos a companhia do novo Nissan Qashqai que, aliás, parece estar na moda por aquelas paragens. E motivos para isso não faltam: a começar pelo facto de a sua produção ocorrer em Sunderland (a menos de 200 kms de Edimburgo) mas, sobretudo, pelas qualidades deste Crossover que é, sem dúvida, a referência do segmento. Elegemos, para o efeito, a versão 1.5 dCi que tem o mérito de adicionar o conforto, a qualidade de construção e dos materiais (caraterísticas bem expressas na total ausência de ruídosparasita) e as capacidades dinâmicas à economia. Na pacatez das paisagens escocesas, a convidar a uma condução a condizer, tornou-se fácil e frequente realizarmos médias abaixo dos 4,5 litros, o que dispensa comentários.

 

Artigo publicado na Revista Turbo nº 393, de junho de 2014

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