Comando de válvulas digital pode revolucionar consumos

Texto: António Amorim

Um motor a gasolina com a eficiência de um Diesel é o que toda a gente procura. A empresa britânica Camcon Automotive pode ter encontrado a solução, ao substituir a tradicional árvore de cames por um sistema digital de comando individual das válvulas.

 

O protótipo chama-se IVA mas, ao contrário do malogrado imposto, pode vir a resultar numa economia de custos… de combustível. Significa “Inteligent Valve Actuation”, ou “Comando Inteligente das Válvulas”. Permite o controlo constante, infinito e independente, tanto do curso de abertura como da fase e duração desta, em cada uma das válvulas do motor.

Tem estado em desenvolvimento nos últimos seis anos, mas atingiu agora um nível de eficácia em bancos de testes que permite levá-lo bastante a sério. A empresa já está, nesta fase, a propor o sistema a diversas marcas de automóveis e esclarece que este se destina a quaisquer motores a gasolina e pode ser utilizado tanto em motores independentes como em sistemas híbridos.

Esta solução vem libertar o comando do motor da tradicional ligação mecânica direta entre o comando das válvulas e a rotação do veio de excêntricos, ou árvore de cames e que tem sido uma lei de todos os motores de combustão desde há mais de um século.

Os responsáveis pelo projeto chegam mesmo a afirmar que esta solução pode constituir um salto evolutivo ainda mais importante do que a passagem dos carburadores para os sistemas de injeção.

Com este nível de flexibilização do funcionamento das válvulas um motor a gasolina pode ser gerido de forma muito mais fina, proporcionando, por exemplo, uma redução de consumo e de emissões extrema em certas situações e uma entrega máxima de rendimento noutras, consoante os desejos do condutor.

A desativação de cilindros, por exemplo, pode, aqui, ser gerida de forma muito mais eficaz.

O sistema IVA recorre a um conjunto de atuadores eletromecânicos colocados onde as tradicionais árvores de cames estariam, ou seja, na cabeça do motor. Cada um desses atuadores comanda um excêntrico, responsável por abrir uma ou duas válvulas. Os tempos de abertura ou fecho de cada válvula (ou par de válvulas) é gerido eletronicamente.

Segundo a revista inglesa Autocar, a partir do momento em que um sistema destes seja adoptado por uma marca ou por um fornecedor de renome (Bosch ou Valeo, por exemplo), a sua chegada às linhas de produção pode demorar apenas uns dois ou três anos.

 

 

 

 

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