Baterias de urina, baterias a ar, baterias de grafeno, baterias de sódio… É por isto que os carros elétricos vão ficar mais baratos que os convencionais em menos de 10 anos

Texto: António Amorim

Um novo estudo levado a cabo pela Bloomberg New Energy Finance indica que, muito em breve, um carro elétrico custará tanto ou menos que um carro a gasolina ou gasóleo.

Aquela organização, especializada na área da energia e sediada em Londres, refere que os custos de produção das baterias vão tornar os carros elétricos muito mais baratos, tanto na Europa como na América.

Atualmente, o custo das baterias representa cerca de metade do preço de um carro elétrico. Segundo o referido estudo, este custo cairá 77 por cento entre 2016 e 2030.

Marcas muito comprometidas com a eletrificação automóvel, como a Renault e Tesla, também já haviam confirmado que o preço dos seus automóveis elétricos igualizará o dos modelos de combustão no início da próxima década, ou seja, dentro de cinco a dez anos.

A estagnação evolutiva das baterias de iões de lítio tem constituído o grande entrave à massificação dos automóveis elétricos, mas estamos à beira de uma revolução nesta área.

Ao crescente interesse das universidades nesta área de investigação, juntam-se os enormes investimentos de grandes empresas, como as marcas de automóveis, de telemóveis e de computadores, entre outros gadgets, que não param de injetar dinheiro no desenvolvimento destas tecnologias.

 

Aqui ficam algumas das melhores e mais recentes descobertas na área das baterias elétricas, que podem em breve mudar as nossas vidas para melhor:

Baterias de lítio-ar

Estas baterias utilizam o oxigénio do ar como oxidante, em vez de um material. Podem por isso sair cinco vezes mais baratas e cinco vezes mais leves que as baterias de iões de lítio. Música para os ouvidos dos fabricantes de automóveis. Há mesmo quem avance que diram cinco vezes mais.

Bateria de iões de lítio no estado sólido

Cientistas da Toyota estão a desenvolver uma bateria que utiliza condutores superiónicos que é capaz de funcionar com supercondensadores. O objetivo é conceber uma bateria passível de ser carregada em sete minutos! Seria perfeita para o automóvel.

Por estar no estado sólido esta bateria também seria mais segura e estável que as utilizadas hoje em dia, aguentando temperaturas desde 30 graus negativos a cem graus positivos sem riscos.

Os eletrólitos materiais estão, no entanto, numa fase inicial de desenvolvimento, portanto não é de esperar que esta tecnologia fique pronta dentro dos próximos anos.

Baterias de grafeno

Se uma recarga em sete minutos lhe parece fantástico, então o que dizer de uma recarga em cinco minutos? É esse o objetivo das investigações na área das baterias de grafeno que, ainda para mais, já estão num estado de desenvolvimento capaz de proporcionar 800 km de autonomia a um carro elétrico. Quem o afirma é a Graphenano, a empresa por detrás da bateria Grabat de 2.3V. Esta tem uma capacidade de 1000 Wh/kg, em comparação com os habituais 180 Wh/kg de uma bateria de iões de lítio e poderá entrar em industrialização num dos próximos anos, até porque a empresa já apresentou publicamente a nova tecnologia num evento em Madrid.

Microsupercondensadores feitos a laser (Rice University)

São conhecidos os custos de produção astronómicos dos microsupercondensadores. Mas as suas vantagens também: uma bateria que se recarrega 50 vezes mais depressa que as atuais e que se descarrega ainda mais devagar que os supercondensadores atuais. E depois de terem sofrido mais de 10 mil ciclos em testes, continuavam operacionais. A solução pode estar numa nova técnica de produção que utiliza o laser para desenhar padrões de elétrodos em películas plásticas e que tornaria tudo muito mais barato. A Universidade de Rice já fez a experiência.

Baterias de iões de sódio

A solução também pode estar no sal. Até agora já foram usadas baterias destas em protótipos de computadores portáteis, por um grupo de investigadores e empresas franceses chamado RS2E. A grande vantagem é a sua modularidade, de tal maneira que tanto pode ser usada num portátil como num carro.

Baterias de alumínio-ar

Esta tecnologia promete uma autonomia de 1750 km por cada recarga com um carro elétrico. Já foi testado um veículo com esta performance, utilizando o ar atmosférico como cátodo. Estas baterias transformam o metal nelas utilizado em hidróxido de alumínio, que depois pode ser reciclado para fazer mais baterias.

Baterias de urina

Parece estranho mas há mesmo quem esteja a investigar nesta área e com resultados. E o nome até nem é nada estranho: chama-se Fundação Bill Gates. Os seus cientistas já anunciaram uma versão que é capaz de recarregar telemóveis. Utiliza algo chamado Microbial Fuel Cell que utiliza a urina para produzir eletricidade.

Com o próprio Bill Gates a tentar reinventar o conceito de autoclismo, porque não havemos de esperar grandes revoluções na área dos carros elétricos? Já faltou mais…

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