Audi R8 Spyder – sol que não é para todos

Texto: Ricardo Machado

A Audi está a apresentar no Salão de Nova Iorque uma versão especial do R8 que visa celebrar o sucesso deste modelo na competição. Está limitada a 200 unidades e à versão Coupé. O que é pena pois, como veremos, o Spyder bem merece, também, essas honras

Combinando alumínio, plástico reforçado e fibra de carbono (CFRP), a plataforma Audi Space Frame (ASF) é um excelente ponto de partida para criar um descapotável. Pesa 208 kg e combribui para a grande rigidez torcional, contando para isso com a ajuda dos reforços das embaladeiras e dos pilares. Embora os 1720 kg possam induzir em erro, o R8 Spyder não é pesado, como o comprova a relação peso/potência de 3,2 kg/CV.

Quanto à capota textil, bastante leve, assegura uma elevada estanquecidade e isolamento acústico, podendo ser aberta ou fechada em 20 segundos, desde que a velocidade não ultrapasse os 50 km/h.

Para termos uma ideia do patamar tecnológico do R8 Spyder, basta dizer que plataforma ASF é, no essencial, a mesma que encontramos no Lamborghini Hurracan, o mesmo acontecendo com o bloco de 10 cilindros em V a 90 graus, com cárter seco, admissão direta e indireta de gasolina, naturalmente aspirado, com 540 CV. Pode parecer pouco mas é preciso não esquecer que os 540 Nm de binário são distribuídos pelos dois eixos por meio de um sistema de tração integral quattro melhorado. Com cérebro eletrónico e acionamento eletro-hidráulico, a embraiagem multiprato instalada no eixo dianteiro controla agora o binário de forma variável, podendo entregá-lo na totalidade a qualquer dos eixos. Para limitar ainda mais as perdas de motricidade, o eixo traseiro monta um diferencial autoblocante, com 25% de bloqueio em carga e 45% de bloqueio em desaceleração.

Fundamental é, também, a nova e mais desportiva programação da caixa S tronic de sete velocidades (dupla embraiagem), mais apta a explorar todos os regimes, como fica bem demonstrado na aceleração de 3,6 segundos dos 0 a 100 km/h, para uma velocidade máxima de 318 km/h.

A colocação do motor na traseira, em posição central, praticamente alinhado com centro de gravidade, mostrou ser determinante para o exemplar desempenho do R8 Spyder que, no caso da unidade que ensaiamos, dispunha da suspensão de amortecimento variável Audi magnetic ride, direção eletromecânica de assistência também variável, jantes de 20’’, travões com discos cerâmicos e sistema de som Bang & Olufsen.

Neste primeiro contacto, na região de Barcelona, começou por nos agradar a ideia de podermos usufruir de estradas um pouco mais cénicas e, por isso, coerentes com a sensação de tranquilidade que também caracteriza um desportivo aberto. Porém, “digerida” a surpresa do conforto que o R8 Spyder também é capaz de nos oferecer, a verdade é que o “pezinho” do lado direito começou a pedir pista, para percebermos, afinal, o que é que a Audi quer mesmo dizer com o anuncio de que os 200 km/h são alcançados em menos de 12 segundos…

Não foi possível e, assim, enquanto nos deliciávamos com a sonoridade dos escapes, fomos ganhando confiança à medida que percebiamos que, apesar da estrada humida, o R8 nunca perde a compustura e o comportamento neutro, com a tração integral a mostrar toda a sua relevância. Tanto quanto a capacidade de aceleração quase inesgotável do V10 é, mesmo o comportamento equilibrado (quase dócil) do R8 Spyder cujo preço ronda os 240 mil euros.

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