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As três causas de morte dos diesel

Texto: Nuno Fatela

As vendas de automóveis alimentados a gasóleo na Europa vão continuar a cair, uma situação que é causada por três razões distintas.

 

O domínio dos diesel na Europa, onde representam de momento 1 em cada 2 automóveis comercializados, está prestes a chegar ao fim. Segundo as previsões da analista de mercado JP Morgan Chase & Co., em 2020 vão representar apenas 30% de todo o mercado automóvel a nível continental e devem depois continuar a cair, algo que se explica pela conjugação de diversos fatores.

Esta alteração de paradigma será potenciada por três motivos diferentes, onde se destacam desde logo as dúvidas dos clientes relativamente às vantagens desta tecnologia e a transparência nos consumos e emissões que deriva do DieselGate da Volkswagen e também das suspeitas que têm recaído sobre outros fabricantes. Esta será uma situação com impacto nos lucros das marcas, com uma redução de 5% nos ganhos gerados, que assim devem redirecionar as verbas de projetos de desenvolvimento de novas soluções, como os veículos híbridos e elétricos alimentados a baterias. O motivo para a aposta nestas motorizações também se explica pela terceira “causa de morte” dos diesel na Europa, e que será precisamente a progressiva introdução de regras mais exigentes por parte das autoridades continentais, tanto através dos novos ciclos de testes como pela obrigação de cumprir limites de emissões progressivamente mais restritivos, algo que já tem vindo a ocorrer paulatinamente. Na vertente da legislação têm também impacto para muitos condutores as restrições à circulação nas cidades, com a ameaça de não ser permitida a entrada a veículos diesel nas grandes metrópoles.

Thomas Schlick, um especialista da empresa Roland Berger, explica que “a quota dos diesel tem vindo a cair progressivamente ao longo dos anos devido aos limites de emissões mais restritivos que tornam esta tecnologia mais cara”, recordando não apenas as regras comunitárias como as restrições à circulação em muitas cidades como outro motivo para o declínio das vendas. Este analista refere ainda impactos no mundo laboral, pois afirma que “as implicações da queda na procura dos modelos combustão são significativos para a indústria automóvel pois cerca de 1/3 dos postos de trabalho estão relacionados com as tecnologias de motorizações”. Também a Comissária Europeia dos Transportes, Elzbieta Bienkowska acredita que os diesel vão ser descontinuados, e afirma que apesar desta situação não ir ocorrer de um dia para o outro mas que “tenho a certeza de que vão desaparecer mais rápido do que poderemos imaginar”.

 

Fonte: Automotive News Europe

 

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